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Vinte e cinco anos depois, continua bem presente na memória de todos o fatídico ataque do 11 de Setembro às Torres Gémeas, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
Se as vítimas continuam a ser lembradas, também aqueles que sobreviveram continuam a revelar as histórias daquele dia.
Michael Hingson, que é cego desde nascença, estava no seu escritório na torre norte do World Trade Center, quando ouviu uma explosão. A seu lado tinha o colega David Frank que, ao ver que havia chamas e fumo, afirmou que ambos tinham de sair dali depressa.
Debaixo da secretária de Michael estava Roselle, a sua cadela-guia de raça labrador, a dormir.
Embora naquele momento a tese de um ataque terrorista nem sequer lhes passasse pela cabeça, Michael ligou de imediato para a mulher a informar-lhe que houvera uma situação de emergência. Depois disso, e na companhia do colega e da cadela, começou a descer o edifício. O animal teve um papel fundamental para que se salvasse.
Os três, note-se, estavam no 78.º andar do edifício e 15 andares acima o edifício começava a ser consumido pelo embate do primeiro avião.
Roselle caminhou sempre ao lado do homem, guiando-o à volta dos obstáculos. Mas na escadaria, onde as pessoas se amontoavam, muitas vezes não havia espaço suficiente para desempenhar essa função, pelo que caminhava junto aos calcanhares dele enquanto Hingson se agarrava ao corrimão e descia.
À medida que desciam, Hingson dizia repetidamente a Roselle: "Boa cadela, Roselle. Estás a fazer um excelente trabalho", recorda o homem, referindo que sabia que a sua melhor amiga ia sentir "o medo de todas as pessoas" e por isso ele tinha de lhe provar que ele "estava bem".
Quando alcançaram o 50.º andar começaram a surgir as primeiras dúvidas de sobre se se conseguiriam salvar, com David a afirmar que não conseguiriam.
Contudo, Michael estava determinado e não hesitou em garantir-lhe: "Se a Roselle e eu conseguimos descer as escadas, então tu também consegues". E dito isto, continuaram a descer.
Nesse momento, o homem recorda-se de perceber que os bombeiros estavam a subir e que lhes deram uma única ordem: "continuar a descer e sair dali".
Michael, David e Roselle acabaram por conseguir sair do edifício e só chegando à rua é que David conseguiu ver o que realmente se estava a passar e conseguiu reportar a situação ao colega invisual. "Oh meu deus, Mike, só consigo ver uma nuvem de fumo enorme. Desapareceu tudo", disse.
Cerca de dez minutos depois de terem saído do edifício, recorda Michael à revista People, o edifício desmoronou. Ao fim do dia, regressaram a casa e o homem recorda que para o animal "estava tudo bem. Nada a amedrontou".
Roselle foi galardoada em 2002 com um prémio de excelência canina e, em 2011, Michael escreveu uma obra em sua homenagem. A cadela morreu em junho de 2011, aos 14 anos.
Já Michael, que ficou entretanto viúvo, mudou-se para a Califórnia com o seu 9.º cão-guia. Roselle tem, contudo, para sempre um lugar especial na sua memória e sempre que se recorda daquele dia, há 25 anos, é a ela que atribui a calma que lhe permitiu sair do edifício em segurança.
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