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"A mensagem de que África é decisiva para o futuro de Portugal e para o futuro do projeto europeu. Portugal tem aqui um papel crucial a desempenhar, nesta ponte de diálogo entre Europa e África", disse o líder socialista, ao fazer o balanço da visita a Moçambique.
Desde segunda-feira, José Luís Carneiro, juntamente com o presidente do grupo parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, reuniu com empresários portugueses e moçambicanos, bem como com a comunidade nacional radicada em Maputo, além do Presidente da República, Daniel Chapo, e da presidente do parlamento moçambicano, Margarida Talapa.
"Em conjunto com Moçambique, como um país charneira na relação com o Índico, mas também na relação com a África do Sul e com a África austral, na afirmação dos nossos interesses comuns no quadro da CPLP, quer na cooperação linguística, quer na cooperação técnica e cultural e científica, quer também na promoção do investimento e da cooperação empresarial e económica", enfatizou José Luís Carneiro.
O líder socialista sublinhou, após os contactos dos últimos três dias em Moçambique, que o "investimento na formação e na capacitação das pessoas é uma prioridade essencial ao desenvolvimento económico" e que esta deslocação permitiu "tomar consciência do momento" que o país africano vive, com megaprojetos de gás natural a avançar e lançar a produção moçambicana para uma das maiores em África até 2030.
Portugal é o sétimo maior fornecedor de Moçambique, com mais de 1.100 empresas portuguesas exportadoras ativas para este mercado, responsáveis por trocas comerciais que, em 2025, superaram os 193 milhões de euros em bens. Atualmente há mais de 40 mil cidadãos portugueses registados na rede consular em território moçambicano, e quase 500 empresas de capitais portugueses em Moçambique, segundo dados oficiais.
Durante os encontros, disse ainda Carneiro, foi possível ao PS reafirmar a vontade de reforçar a "cooperação parlamentar", nomeadamente "utilizando e valorizando" o quadro da cooperação no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e das relações entre os parlamentos dos dois países.
Igualmente importante para o líder socialista português é o atual diálogo inclusivo nacional, lançado para pacificação em Moçambique após os protestos que se seguiram às eleições de 2024 e que prevê até 2027 várias reformas, incluindo da Constituição.
"Aquilo que pudemos transmitir foi a nossa disponibilidade para contribuir para que esse diálogo inclusivo nacional possa servir o propósito da paz, porque a paz é um valor essencial à estabilidade e ao desenvolvimento humano, ao desenvolvimento das condições de vida e de progresso das sociedades", disse.
"Aquilo que nós procuraremos fazer hoje e sempre é contribuir para esse espírito de paz e desenvolvimento", acrescentou José Luís Carneiro, reconhecendo que o país está hoje "mais estabilizado".
"Mas exige um cuidado político muito grande, nomeadamente no sentido que este diálogo inclusivo nacional possa enraizar-se na vida das comunidades locais e ser capaz de integrar os mais jovens, as mais jovens gerações, na construção deste processo de desenvolvimento social e de desenvolvimento político, porque bem se sabe que a grande questão está no encontro das oportunidades para que estas mais jovens gerações se possam reconciliar com a vida política e com as instituições democráticas", concluiu.
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