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O ministro da Administração Interna está a ser ouvido esta terça-feira, 8 de setembro, no Parlamento. Luís Neves prometeu prestar "todos os esclarecimentos" sobre as recentes polémicas em que se viu envolvido, referentes ao período em que foi diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).

A audição regimental na Assembleia da República (AR) tem como objetivo fazer um balanço e prestar esclarecimentos aos deputados sobre as políticas do ministério, mas Luís Neves deverá ser confrontado com perguntas dos deputados sobre as polémicas que têm surgido nos últimos quase dois meses.

No mesmo dia e umas horas mais tarde (pelas 15h00) está também agendado o debate e votação da moção de censura do Chega ao Governo, que tem já chumbo garantido.

O MAI volta a falar das forças de segurança e anuncia a "conclusão de 659 agentes em dezembro de 2026" e destaca trabalho de proximidade no terreno, com autoridades e bombeiros.

"Temos orgulho no trabalho que estamos a fazer porque temos todos os canais abertos com todas as estruturas que tutelamos, quer ao nível dos trabalhadores, quer a nível das chefias", evidenciou, mostrando-se esperançoso com o futuro.

Fala agora António Rodrigues do PSD. Para o deputado, apesar de todas as polémicas, Luís Neves "continuou a fazer o que devia fazer", tanto nos incêndios, onde "houve decisões de intervenção imediata" que contribuiram para a diminuição da área ardida, como na segurança.

"Se isto não é um sucesso? O que é? É obvio que é!", atirou, lembrando que o primeiro-ministro já assumiu "que o MAI tem tido um bom desempenho".

Sobre o atrelado, Pedro Pinto pergunta "se este podia estar onde estava porque é que no dia seguinte a ter saído a notícia, a PJ foi lá buscar o atrelado?" Ao que Luís Neves admite que "só soube disso pela comunicação social" mas apurou "a seguir que não foi recolhida informação interna que a galera e os produtos estavam lá legitimamente".

Já sobre a declaração de rendimentos Luís Neves fez "mea culpa". "Não me lembrei que tinha de entregar a declaração de rendimentos", admitiu, referindo que, a esse propósito, cometeu "dois lapsos que foram corrigidos". Um sobre o carro que devia ter declarado e outro sobre a empresa que "não tinha tido qualquer negócio nem com o Estado nem com ninguém porque até à data não tinha feito qualquer negócio".

Sobre as obras do monte de Odemira, o MAI reconheceu também que foi "um erro", que nunca devia ter feito".

O deputado do Chega, Pedro Pinto, perguntou a Luís Neves quando é que sai do Governo, ao que este respondeu: "Quando o Governo terminar ou o primeiro-ministro assim decidir".

“Disse que já esclareceu, mas não esclareceu nada. Os portugueses precisam de esclarecimentos. Estamos à espera disso. Pensei que ia usar os 15 minutos iniciais para esclarecer os portugueses, em vez dessa propaganda barata. Não tem condições nem credibilidade para continuar a ser Ministro da Administração Interna. A pergunta que lhe faço é: quando é que se vai embora?”, questionou o líder parlamentar do Chega.

Ao que o ministro da Administração Interna respondeu: "Quando o Governo terminar ou quando o primeiro-ministro entender".

Pedro Pinte insiste na falta de condições do ministro para continuar no cargo e pergunta-lhe se vai colocar o lugar à disposição. "Não, claro que não, não vou pôr o cargo à disposição", respondeu o ministro.

O ministro da Administração Interna voltou hoje a afirmar que não vai apresentar qualquer pedido de demissão, sustentando que sairá do Governo quando o primeiro-ministro o entender.

Sobre as polémicas que o têm envolvido nos últimos tempos, Luís Neves garantiu: "Estou, como sempre estive, ao longo de mais de 30 anos de serviço público, inteiramente disponível para o escrutínio público, judicial, financeiro e jornalístico".

"Não excluo que algumas das decisões que tomei possam ser consideradas erradas, concluo que poderiam ter sido adotados outros procedimentos mas serão as autoridades competentes a avaliar. Tenho a certeza quer todos os deputados têm interessem em aguardar", atirou.

"Nenhuma das decisões visou o enriquecimento de quem quer que seja ou prejudicar o interesse público. Antes pelo contrário. O respeito pelas instituições exige disponibilidade para o escrutínio, mas que também possamos trabalhar com serenidade. Continuaremos a fazer o nosso trabalho: queremos deixar uma Administração Interna mais preparada", acrescentou ainda.

Já sobre os fogos, Luís Neves evidenciou o reforço do "dispositivo especial de combate a incêndios rurais" e o facto de, até ao momento, a área ardida ser "74% inferior à registada em igual período de 2025".

"É um resultado positivo mas ainda estamos no meio da campanha, sendo certo que temos o El Niño que poderá por aqui passar e causar grandes estragos", alertou.

Luís Neves começou por dizer que, desde o primeiro dia, tem "procurado responder aos problemas imediatos sem perder de vista" as necessidades do MAI.

Com isso, apresenta dados sobre as conquistas já feitas desde que assumiu o cargo, em fevereiro deste ano, entre os quais o reforço dos agentes da PSP." É necessário haver mais segurança no terreno", atirou, lembrando o caso da turista baleada na Rua Augusta, em Lisboa.

Apesar disso, o governante realçou que "nunca haverá zero crime".