Os dois projectos, a serem inaugurados pelo Presidente da República, João Lourenço, vão dar um novo impulso na prática da agricultura e da pecuária, concretamente, assegurar o abastecimento directo de água e garantir a sobrevivência e o abeberamento do gado, apurou o Jornal de Angola durante visitas efectuadas esta semana aos dois gigantes.
As infra-estruturas de combate aos efeitos da seca têm um carácter extremamente importante, tendo em conta que a região Sul de Angola tem registado, de forma cíclica, longos períodos de estiagem, o que prejudica, em grande medida, o desenvolvimento da região e, concomitantemente, a vida da população residente.
A Barragem do Ndúe, por exemplo, tem 32,80 metros de altura e 1500 metros de comprimento, com possibilidade de armazenar 170 milhões de metros cúbicos de água, com um canal adutor associado de 75 quilómetros.
Contempla 15 chimpacas para diversos fins de cariz económico e social, beneficiando a população, a agricultura e o gado ao longo do canal. Prevê beneficiar cerca de 55 mil habitantes e 60.000 cabeças de gado, numa primeira fase, além de outras oportunidades de emprego que poderá criar, na sua maioria para jovens.
Já a Barragem do Calucuve, tem 31,60 metros de altura e 2.184 metros de comprimento. O projecto vai armazenar cerca de 141 milhões de metros cúbicos de água e contará com um canal adutor de 240 quilómetros e 22 chimpacas. Esta importante infra-estrutura, igualmente localizada na comuna do Mukolongondjo, município do Cuvelai, poderá beneficiar perto de 200.000 cabeças de gado e mais de 80 mil habitantes da região.
Benefícios para a população
"Daqui a alguns dias vamos deixar de andar mais de 200 ou 300 quilómetros para ir à procura de água. A palavra transumância do gado vai desaparecer no Cunene", referiu Paula Muteca, residente na localidade de Embudo.
A mulher, de aproximadamente 40 anos, diz que será um sonho a realizar e acredita que a vida no município e na província poderá mudar devido ao aumento da produção. "Vamos semear muito e a fome vai reduzir", concluiu a progenitora de três crianças, em conversa com a equipa de reportagem do JA.
As Barragens do Ndue e Calucuve juntam-se ao Canal do Cafu, em pleno funcionamento desde 4 de Abril de 2022, para levar água a zonas que durante décadas sofreram com a seca.
"Não se trata somente de disponibilizar mais água na região, mas também levar o desenvolvimento sócio-económico e dinamizar a economia nesta parcela do país, com criação de oportunidades, geração de empregos, mitigar doenças, muitas vezes graves, de origem hídrica, entre outros benefícios, para o bem-estar dos seus habitantes", realça num comunicado o Ministério da Energia e Águas.
Além da sua função de abastecimento de água, as Barragens do Ndue e do Calucuve constituem plataformas para o desenvolvimento de novas actividades económicas, incluindo a futura produção Aquícola, consolidando como um dos mais relevantes programas estruturantes do Executivo para a diversificação da economia nacional, a adaptação às alterações climáticas e a melhoria da qualidade de vida das populações.
Entre os benefícios, as expectativas do Governo reflectem-se igualmente no reforço da segurança alimentar, na redução da dependência de importações de produtos agrícolas, na valorização das economias locais e na atracção de investimento privado, contribuindo para um desenvolvimento mais sustentável, resiliente e inclusivo.
A inauguração dos dois projectos de abastecimento de água acontece quase seis anos depois do início das obras.
Horácio Bapolo | no Cunene

