Actualmente, com uma extensão territorial de 78.342 quilómetros quadrados, o Cunene conta com 14 municípios e uma população de aproximadamente 1.806.417 habitantes. Desses, 75 por cento praticam actividade agro-pecuária.

A comunidade é contemplada com várias infra-estruturas de combate à seca, desenvolvidas pelo Executivo, com principal realce para o Canal do Cafu, com um perímetro de 165 quilómetros e 31 chimpakas (reservatórios principais de água), implementados ao longo da linha que permite o sistema de regadio até aos campos agrícolas.

Para o reforço do fomento da agricultura, o Ministério da Agricultura e Florestas promoveu, em alguns municípios, dois programas especializados, designadamente o Projecto de Apoio à Agricultura Familiar e Comercialização (SAMAP) e o Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Familiar e Comercialização (MOSAP III), que permitiram implementar, nas imediações do Canal do Cafu, 368 Escolas de Campo (ECAs), maioritariamente lideradas por mulheres.

Com o canal à disposição dos 14 municípios, as ECAs conseguem diversificar a produção, diferente do passado, em que a prática habitual era o cultivo de massango e massambala. Hoje, já é visível na região o cultivo de cebola, tomate, couve, milho, banana e cana-de-açúcar. A grande novidade é a mandioca e a batata-rena, produtos que as famílias camponesas não produziam.

Outro programa estruturante que está em curso no Cunene para o desenvolvimento da agricultura é o projecto de loteamento das duas margens do Canal do Cafu, em curso no município de Namacunde, com prazo de duração de um ano. O programa vai abranger também o município de Ombadja.

Denominado Lote 6, o projecto conta com uma área reservada de 10,189 quilómetros. Uma das margens será composta por 100 parcelas, com uma via de acesso de 300 metros por lote, uma estrada de 35,54 quilómetros, uma chimpaka e 77 estacas, denominadas peças de suporte físico para as plantas ou pedaços de vegetais usados para plantar novas mudas.

Na outra margem, de maior dimensão, estão projectados 200 lotes, cerca de 71,1 quilómetros de estrada, uma via de acesso de 600 metros por lote e 154 estacas.
Com o fenómeno da seca, as famílias camponesas praticavam agricultura de sequeiro, sistema de cultivo em solo firme que depende exclusivamente da água da chuva para o desenvolvimento das plantas, sem o uso de irrigação artificial, o que não acontece nos dias de hoje.

Quanto ao processo de regadio, são visíveis, ao longo do Canal do Cafu, tubos com grande capacidade para suportar a água sob pressão e pequenas mangueiras sustentadas por motobombas. Para maior suporte da actividade de campo, foram também instaladas placas de sistemas solares nas Escolas de Campo.

Escolas de Campo
Ao longo do canal, encontra-se a Escola de Campo de Agricultores “Kapota”, no município do Cuanhama, localidade de Plyepango. Ocupa uma área de 1,5 hectares de terra, o equivalente a 15.000 metros quadrados.

Constituída por 25 membros, dos quais 17 mulheres e oito homens, a Kapota é chefiada por uma comissão de gestão, liderada por uma mulher, que exerce igualmente as funções de tesoureira e chefe de produção. O secretário completa o quadro de liderança.

No passado, a Escola de Campo Kapota tinha como principais apostas de produção as culturas de massango, massambala e feijão, tendo posteriormente apostado na mandioca e na batata-rena, como anteriormente referido.

O Jornal de Angola constatou, no local, a existência de um campo de multiplicação e produção de mandioca, numa área de 858 metros quadrados, tubérculo que tem um ciclo de aproximadamente um ano até à colheita. Isto é, o cultivo foi feito no dia 14 de Agosto de 2025, com previsão de colheita para 10 de Setembro de 2026.

A colheita da mandioca, feita na presença da reportagem do JA, permitiu observar a retirada do solo de tubérculos 100 por cento prontos para o consumo humano.

Depois da colheita, feita com o apoio dos técnicos do IDA, avaliou-se o estado fenológico da cultura, o que permite verificar a adaptação do produto ao campo, incluindo a qualidade e a quantidade da produção.

A primeira colheita no local rendeu 83 quilos de mandioca, retirados de uma área de 25 metros quadrados. A avaliação demonstrativa verificou que a ECA vai colher 33 toneladas por hectare.

Com o lema “Escola de Campo de Agricultores, agricultores, brilha, brilhamos”, as famílias camponesas aprendem também a avaliar as toneladas, técnica explicada por um técnico.

A uma distância de cinco quilómetros encontra-se também a Escola de Campo de Agricultores “Elau Letu”, no município de Ombadja, localidade de Omingue-1. Diferente da Kapota, a ECA Elau Letu, fundada a 4 de Agosto de 2022, é composta por 27 membros, dos quais 25 são mulheres e dois homens.

A Elau Letu desenvolve como principais culturas o café, a batata-rena e a mandioca, todas destinadas ao processo de multiplicação e ao consumo. A pecuária também faz parte das actividades praticadas pela ECA Elau Letu, que inicialmente beneficiava de 16 cabeças, número que hoje aumentou para 31 efectivos, entre bovinos e caprinos.

As Escolas de Campo são assistidas pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) e pela Unidade Técnica de Aproveitamento e Desenvolvimento dos Perímetros Irrigados do Cunene, instituições que disponibilizaram técnicos em cada ECA para auxiliar as famílias camponesas.

Ana Paulo | no Cunene