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Jorge Salcedo trouxe mais de cinco décadas de experiência aos Jogos do Mediterrâneo Taranto'2026, onde é o chefe dos árbitros do atletismo, uma função que começou a desempenhar devido aos acasos da vida.

A agência Lusa descobriu-o também por acaso no Estádio Giuseppe Valente, quando, ao ouvir falar português, se apresentou. Daí a uma viagem pela sua história de vida foi um pequeno passo.

Em miúdo, o agora septuagenário costumava acompanhar o pai, Afonso Salcedo, que esteve "muito envolvido no atletismo, desde atleta até que chegou a presidente da federação, nos anos 60 do século passado".

"Ele faleceu quando eu tinha 14 anos. Continuei como espetador até que - é uma coisa engraçada - tinha eu 21 anos e alguém do atletismo telefonou lá para casa, falou com a minha mãe e perguntou: 'O Jorge não quer fazer o curso de juiz de atletismo?'. E eu, que era muito envergonhado - ainda sou, mas na altura era pior -, disse 'vamos lá'", detalhou.

Depois de completar o curso, começou a ser nomeado para provas na zona de Lisboa, onde morava, e "as coisas continuaram", com Salcedo a ter 53 anos de experiência como árbitro nacional e 43 como internacional.

"Em 1983, a federação internacional decidiu constituir um painel de juízes internacionais. Na altura, o sistema, que não era o melhor, foi solicitar às federações que indicassem alguém que cumprissem um determinado perfil. E a federação propôs-me a mim", recorda.

A partir de 1991, foi eleito para o comité técnico da federação internacional -- antiga IAAF, hoje World Athletics -- e começou "a ter uma intervenção maior a todos os níveis, de ajuizamento, de regulamentação, até hoje", em que é chefe dos árbitros do atletismo nos Jogos do Mediterrâneo.

Como coordenador, o também árbitro das provas de pista tem de ver se o sistema de cronometragem automática está "a começar a funcionar na altura que deve" e verificar se os locais onde se vão realizar os concursos estão prontos.

Em Taranto2026, o juiz português admite que não tem sido "particularmente" solicitado, mas que teve de avaliar dois casos envolvendo atletas portugueses.

"Houve duas desclassificações, incluindo infelizmente um atleta português [João Coelho, nos 400 metros]. Houve uma situação de protesto ou ameaça de protesto da equipa italiana relativamente à estafeta [feminina] 4x100 metros, que a equipa portuguesa ganhou. Os dados não eram suficientes para aceitar essa ameaça de protesto, quer da minha parte, quer do árbitro de vídeo, que é italiano", revelou.

Sem razões de queixa das provas onde esteve até hoje, o também formador de árbitros dos próximos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar2026 elege Pequim2008 como melhor memória da sua carreira, na qual esteve em seis Jogos Olímpicos.

"De todas as competições em que estive envolvido, aquela que ainda hoje me deixa mais saudades foram os Jogos de Pequim. Para já, porque fui delegado técnico, não era árbitro, e começámos a trabalhar com eles quatro anos antes dos Jogos. Foi um período muito grande. Trabalharam bem, funcionaram bem", salientou.

Mas foi "em termos de relações humanas" que os magníficos Jogos organizados pela China mais marcaram Jorge Salcedo, com o árbitro português a confessar mesmo ter chorado quando tentou escrever uma carta ao Comité Organizador e à federação internacional para elogiar o trabalho dos voluntários que com ele colaboraram.

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