Proferido na abertura da 5.ª Sessão Legislativa da V Legislatura, o Chefe de Estado justificou a afirmação com o desempenho do país na mediação de conflitos, na diplomacia de paz e na defesa dos valores da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional. 

“A crescente projecção internacional de Angola reflecte-se, igualmente, na capacidade do país para acolher grandes eventos e receber altas entidades internacionais”, sublinhou o Presidente.

Entre os marcos históricos, o Estadista destacou a primeira visita de um Presidente dos Estados Unidos ao país, Joe Biden, bem como de Chefes de Estado ou de Governo da Europa, Ásia, América Latina e Médio Oriente.

   João Lourenço, que falava em jeito de balanço das grandes realizações no período de 2017 a 2026, fez também referência à marcante visita de três dias efectuada pelo Papa Leão XIV a Angola, considerando-a de “forte significado religioso e simbólico”.

  O Chefe de Estado sustentou que a histórica viagem apostólica do Sumo Pontífice não só reavivou a fé da população, mas também aprofundou estrategicamente os laços diplomáticos com o Vaticano.

No quadro dessas relações bilaterais, o Presidente enalteceu o impacto do Acordo-Quadro celebrado entre a República de Angola e a Santa Sé, um instrumento jurídico de extrema relevância que consolidou em definitivo o enquadramento institucional da cooperação mútua. 

O Presidente lembrou que esta parceria vai muito além das formalidades políticas, traduzindo-se em acções práticas com forte pilar social, educativo, sanitário e comunitário, onde as instituições católicas desempenham um papel crucial no apoio directo às famílias e às comunidades mais vulneráveis de todo o país. 

Mediação de conflitos 
Ainda no quadro da diplomacia internacional, o Presidente João Lourenço esclareceu que, durante o seu mandato na liderança da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), Angola empreendeu “todo o esforço possível” para a pacificação do Leste da República Democrática do Congo (RDC), da República Centro-Africana (RCA), do Sudão e do Sudão do Sul, em estreita coordenação com a União Africana.

 O Estadista angolano explicou que, nesse período, foram criados os mecanismos necessários para a implementação das soluções encontradas, as quais foram reafirmadas na 19.ª Sessão do seu Comité Interministerial, realizada em Kinshasa. 

João Lourenço destacou que, em Julho de 2024, esses esforços diplomáticos resultaram na assinatura de um acordo de cessar-fogo sob a mediação directa do Governo angolano.

Para viabilizar o processo no terreno, a Assembleia Nacional aprovou o envio de um contingente militar das Forças Armadas Angolanas (FAA). A missão do efectivo é dar suporte logístico e garantir o cumprimento dos mecanismos de desarmamento e acantonamento do grupo rebelde M23, conforme estabelecido no âmbito do Processo de Luanda.

 Acções do país para a pacificação da RDC 

Angola assumiu a liderança pro tempore da União Africana em 2025, pela primeira vez na sua História. 
 Na altura, o Presidente João Lourenço afirmou que o país elegeu como prioridade das acções do mandato a pacificação da crise no Leste da República Democrática do Congo (RDC). 

“A complexa agenda e a curta duração do mandato da presidência da União Africana aconselharam a articulação com outros actores, passando a mediação ao Presidente do Conselho da República Togolesa”, justificou o Chefe de Estado angolano.

 Apesar da alteração de formato, o Presidente da República sublinhou que o papel de Angola se manteve central, razão pela qual o país foi convidado pelo Presidente dos Estados Unidos para participar na cerimónia de assinatura do Acordo de Washington DC entre a RDC e o Rwanda, em Dezembro de 2025. 

Na ocasião, o Estadista alertou para a necessidade de materializar os entendimentos na prática, com vista a pôr um fim definitivo a uma guerra que ceifa milhares de vidas anualmente. 

 “Como sublinhámos na altura, é fácil assinar um acordo, o mais difícil, mas possível, é implementá-lo. Passados perto de 10 meses, as evidências comprovam que tivemos razão”, referiu João Lourenço, que apontou as infra-estruturas e o desenvolvimento económico como pilares da liderança angolana na organização africana.

No fecho da sua intervenção, o Chefe de Estado regozijou-se pelos resultados tangíveis alcançados na mobilização de capitais, conectividade e transição de recursos básicos. 

Paralelamente, o Presidente relembrou o posicionamento estratégico de Angola nas mais recentes sessões da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Na tribuna global, o país reiterou o seu compromisso inabalável com o multilateralismo e defendeu uma reforma urgente e profunda no Conselho de Segurança da ONU, exigindo assentos permanentes com plenos poderes para a África, de modo a reflectir a realidade geopolítica contemporânea. 

O Estadista angolano ergueu também a voz para apoiar causas históricas e humanitárias, como a justiça reparatória aos afrodescendentes pelo crime da escravatura, o fim imediato do embargo económico imposto a Cuba e a denúncia do genocídio na Palestina. 

No plano da segurança, João Lourenço reafirmou que nenhuma arma é mais poderosa do que a via diplomática, apelando a soluções negociadas e pacíficas para pôr fim aos conflitos que devastam o Leste da RDC, bem como às guerras na Europa, no Médio Oriente e no Golfo Pérsico.