Frente-a-frente estavam o cabeça de série número três, diante do quinto. Antes de confirmar a força do ténis africano, por duplos 6-2, em pouco mais de uma hora, diante da concorrência europeia, Coulibaly entrou da pior maneira, esteve a perder por um zero ainda no primeiro set, em menos de três minutos. No entanto, foi o suficiente fazer a melhor leitura do oponente.

Jack registou uma aparente regressão competitiva, muito abaixo das qualidades que demonstraram ao longo das duas semanas. Em 12 minutos já perdia por 3-1, ao passo que Coulibaly mostrou muita consistência nos serviços, capaz de anular os pontos fortes de Loge e deixar o jogo mais a seu favor.

O belga parecia sem argumentos tácticos para deixar a partida mais equilibrada, a julgar pela expectativa de uma final que colocou frente-a-frente os dois atletas mais regulares na última semana de prova.

Coulibaly impôs-se com autoridade ao longo do encontro, evidenciou maior eficácia nos momentos decisivos e uma capacidade ofensiva que se traduziu numa clara superioridade segundo as estatísticas. O ivoirense terminou a partida com sete ases (ponto ganho directamente no momento do saque), contra apenas um do adversário, e conquistou 57 pontos, face aos 31 de Loge, diferença que espelha o domínio exercido pelo campeão.

A superioridade do representante da Côte d’Ivoire também ficou patente nos pontos de serviço e nas oportunidades de fecho do encontro. Coulibaly conquistou três pontos de set e dispôs de um ponto de encontro, enquanto o belga não conseguiu criar qualquer oportunidade semelhante, segundo os dados estatísticos da partida.

Apesar de ambos terem apresentado números idênticos na percentagem de primeiros serviços, com 55 por cento, e de segundos serviços, com 100 por cento, o tenista africano mostrou maior capacidade para transformar as entradas em jogo em pontos concretos.

Os dois jogadores terminaram igualmente sem duplas faltas, num encontro em que a diferença esteve sobretudo na eficácia e na capacidade de assumir a iniciativa.

O triunfo de Eliakim Coulibaly representa um resultado expressivo para o ténis africano numa competição internacional que reuniu atletas de várias nacionalidades na capital. A conquista diante do belga reforça a competitividade dos jogadores africanos no circuito profissional e valoriza a realização de provas desta dimensão em Angola, segundo o director de prova João Almeida.

 Ivoirense dedica título aos tenistas africanos
Eliakim Coulibaly tenista ivoirense dedicou a conquista do título de singulares do Torneio do Circuito Mundial M25 Luanda 2025, denominado Kikuxi Open, aos africanos, em particular aos angolanos, depois de derrotar o belga Jack Loge, por dois set's sem resposta, na final disputada na Academia Villas Club, em Viana.

Visivelmente satisfeito com a conquista, o atleta destacou a qualidade da organização e considerou que Angola e Quénia estão entre os países africanos que têm demonstrado capacidade para acolher competições internacionais de elevado nível.

“Estou super feliz, primeiro por estar em Angola e, segundo, pelo excelente nível de organização em território africano. O ténis não é dos desportos com grande expressão em África, mas Angola, a par do Quénia, tem sabido realizar provas internacionais de elevada qualidade”, afirmou.

Coulibaly considerou que conquistas desta natureza constituem uma fonte de motivação para continuar a trabalhar. Lamentou o número reduzido de tenistas profissionais africanos em comparação com outras regiões do mundo.

“São vitórias como estas que nos motivam diariamente. Infelizmente, África não possui um número significativo de tenistas profissionais, se compararmos com outras realidades, sobretudo jogadores negros, como é o caso de Daniel Domingos, jovem promessa angolana, assim como outros”, frisou.

O tenista ivoirense revelou ainda que uma das suas principais motivações foi garantir que o troféu permanecesse no continente africano, numa prova que reuniu atletas de diferentes nacionalidades.