A afirmação foi feita ontem pelo vice-reitor para os Assuntos Científicos e Pós-Graduação da Universidade Agostinho Neto (UAN), João Baptista.

Segundo o responsável, os dados resultam de um trabalho científico realizado ao longo de cinco meses por uma equipa de investigadores da UAN, do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) e dos Serviços de Geofísica Aplicada (SEGEO LDA).

 João Baptista afirmou que o estudo incidiu sobre as barragens do Namibe por ser esta uma das regiões mais afectadas pela seca em Angola, fenómeno que tem gerado graves consequências para diversos sectores socioeconómicos, com destaque para a agricultura.

 De acordo com o vice-reitor, para reter a escassa água das chuvas, foram construídas entre as décadas de 1960 e 1970 quatro barragens de retenção que, com o passar do tempo, se degradaram e perderam a capacidade de armazenamento. 

 Contudo, a investigação científica comprovou que, apesar dos danos estruturais acumulados, o solo circundante e as fundações permanecem estáveis. “Os resultados fornecem dados técnicos cruciais para orientar o planeamento das intervenções de reabilitação”, sublinhou João Baptista, acrescentando que o estudo mapeou as áreas prioritárias com base nas características geológicas de cada local.

Com o mapeamento das zonas de fragilidade, explicou o académico, os responsáveis pelas futuras intervenções poderão definir as medidas de tratamento mais adequadas, evitando obras desnecessárias e optimizando a aplicação dos recursos financeiros destinados à recuperação das infra-estruturas.   

“A reabilitação dessas estruturas de retenção poderá contribuir para o aumento da disponibilidade de água e reforçar a capacidade de resposta das comunidades locais aos efeitos da escassez hídrica”, afirmou João Baptista.