Esperança da Costa, que presidiu à cerimónia de abertura da 2.ª Imersão Ferti Mulher, enquadrada na Jornada “Outubro Rosa”, sublinhou a necessidade premente de se desmistificar a maternidade e abordar a saúde feminina com humanidade, coragem e rigor científico.
Para a Vice-Presidente da República, além da dimensão idealizada do amor e continuidade da vida, a maternidade real é também atravessada por desafios complexos.
“Abordar a maternidade real significa reconhecer a mulher de modo integral. Significa compreender que por detrás de cada mãe existe um ser humano com necessidades físicas, emocionais, sociais e económicas”, alertou.
Os cuidados maternos, frisou, não devem começar apenas no parto, mas também através de educação para a saúde, planeamento familiar e acesso contínuo aos cuidados primários.
Capital humano
Ao abordar o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023-2027, Esperança da Costa destacou os avanços registados no sector da Saúde, apontando o crescimento no acesso aos Cuidados de Saúde Primários, que passou de 25 por cento em 2017 para 75 no primeiro trimestre de 2026.
O Programa de Aposta no Capital Humano, disse a Vice-Presidente da República, permitiu, entre 2017 e 2024, o recrutamento, qualificação e integração de 46.705 novos profissionais de Saúde na rede pública.
Rede sanitária
A governante destacou, ainda, o crescimento registado na Rede Sanitária do país, tendo mencionado que o actual número é de 3.348 unidades sanitárias, aliado aos indicadores de protecção infantil, que está com uma taxa de 95 por cento de crianças alimentadas com leite materno.
Perante os dados da União Africana que, em Fevereiro do ano em curso, apontavam para 442 mortes maternas por 100 mil nados vivos no continente, a Vice-Presidente da República reafirmou o compromisso de Angola com o Roteiro Africano e com a meta dos “Três Zeros”: zero mortes maternas e neonatais evitáveis, zero partos de risco e zero crianças não vacinadas.
Cancro da mama
No quadro do “Outubro Rosa”, Esperança da Costa considerou que os dados do Instituto Angolano de Controlo do Cancro (IACC) sobre o cancro da mama são preocupantes, visto que só em 2024 foram registados 543 novos casos.
Já em 2025,o número subiu para 548, enquanto no 1.º semestre deste ano 2026 o país registou um total de 259 novos casos.
Esperança da Costa apelou para que o “Outubro Rosa” não se limite a uma campanha temporária de um mês, mas se deve consolidar como uma agenda permanente de prevenção e diagnóstico atempado.
Defendida mais informação sobre infertilidade
O debate sobre a educação da maternidade real, infertilidade e os desafios enfrentados pelos casais devem fazer parte da agenda das forças vivas da sociedade angolana, defendeu ontem, em Luanda, a fundadora da comunidade Ferti Mulher.
Em declarações à imprensa, no fim da segunda edição da Imersão FertiMulher, que decorreu sob o lema “Partilha de experiências e conhecimento entre mulheres”, Stella Constantino salientou que a iniciativa visa promover a troca de experiências, o acesso à informação e à sensibilização sobre os diferentes desafios da maternidade e infertilidade.
O encontro, salientou, teve como focos temáticos questões ligadas à fertilidade feminina e masculina, fertilização in vitro (FIV), congelamento de embriões, barriga solidária, adopção e outras formas de viver a maternidade, bem como dar visibilidade àquelas mulheres que enfrentaram dificuldades para engravidar e que recorreram a diferentes alternativas para concretizar o desejo de serem mães.
Apoio
A fundadora da organização e médica ginecologista e obstetra explicou que, nesta segunda edição, a FertiMulher decidiu incluir, pela primeira vez, testemunhos reais, além da componente científica.
“É importante falarmos sobre a maternidade para que os casais saibam que não estão sozinhos, principalmente no que concerne à infertilidade, para conseguirmos orientá-los a procurar apoio especializado”, afirmou.
A médica sublinhou, ainda, a importância de abordar a infertilidade como uma questão do casal e não apenas da mulher, tendo em conta que pode estar relacionada tanto com factores femininos como masculinos.
Importância da participação do homem
O consultor de empresas Marco Víctor, que abordou o tema “O papel do homem na maternidade”, apelou a uma participação mais activa do homem , desde a concepção até ao crescimento dos filhos.
Para o responsável, a presença paterna não se resume ao suporte financeiro, mas também ao acompanhamento, afecto e participação nas diferentes fases da vida da criança.
Marco Víctor considerou necessário ultrapassar o modelo social tradicional, que atribui à mulher a responsabilidade pelos cuidados da casa e dos filhos e ao homem o sustento financeiro.
“Nem sempre o importante é o apoio financeiro, às vezes basta que tu estejas lá para dar uma palavra, dar um abraço, estar presente na hora de ir para a escola ou levar à consulta”, defendeu.
Marco Víctor sublinhou, ainda, a importância de se olhar para a infertilidade como uma questão do casal e não apenas problema que afecta a mulher, visto que pode estar associados a vários factores.

