Uma nota de imprensa a que o Jornal de Angola teve acesso refere que Ildeberto Alfredo Serra Madeira nasceu a 1 de Maio de 1943, em Moçâmedes. Conhecedor de lugares, personagens, costumes, tradições e acontecimentos ligados à formação social da região, ficou conhecido como uma “biblioteca viva do Namibe”, expressão que traduzia a dimensão do conhecimento que acumulou e transmitiu ao longo da vida.
Na nota, o ministro da Cultura manifestou profunda consternação pela morte do sociólogo, empresário e activista social Ildeberto Alfredo Serra Madeira, ocorrida a 23 de Agosto deste ano, tendo sido sepultado quatro dias depois, no Cemitério Municipal de Moçâmedes, no Namibe.
A formação em Ciências Sociais, obtida na Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica, entre 1967 e 1968, deu-lhe ferramentas para interpretar as relações sociais e culturais da região. Em 2009, participou em trabalhos de investigação e localização de grutas com arte rupestre, dentre as quais as de Tchitundo-Hulo, no município do Virei, em colaboração com o arqueólogo francês Manuel Gutierrez.
A sua intervenção destacou-se também pela capacidade de aproximar o conhecimento científico da memória das comunidades locais.
Ildeberto Madeira construiu uma relação singular com o território e com as populações do Sudoeste de Angola. Conhecia lugares, personagens, costumes, tradições, histórias e acontecimentos que ajudavam a compreender a formação social do antigo distrito de Moçâmedes e da actual província do Namibe.
A colaboração com o arqueólogo francês Manuel Gutierrez colocou em evidência uma das características que marcaram a sua intervenção: a capacidade de estabelecer uma ponte entre o conhecimento científico e a memória das comunidades locais.
O cidadão Domingos Libongue recorda Ildeberto Madeira como um homem que transformou a própria existência numa missão de defesa do património. Para o jovem, o ancião namibense era uma figura profundamente comprometida com a identidade da província.
Sampaio Caita, outro jovem que teve contacto com o académico, destaca a participação de Ildeberto Madeira em iniciativas de investigação e preservação da cultura local.
O Ministério da Cultura apresentou condolências à família, amigos, colegas e a todos que partilharam a vida e o trabalho do historiador, sublinhando que a sua memória vai permanecer viva por meio do legado deixado à cultura, à História e ao património nacional.

