A garantia foi dada ontem, em Luanda, pelo ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos. O governante falava durante o acto comemorativo antecipado do Dia Mundial da Alimentação, oficialmente a assinalar-se a 16 deste mês —, que este ano decorre sob o lema “Inovar hoje, Nutrir amanhã”. 

A iniciativa conjunta foi promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) em Angola.
Na sua intervenção, Isaac dos Anjos destacou os avanços significativos do país no combate à fome, fruto da cooperação com o sistema das Nações Unidas, embora reconheça os desafios pendentes.    “Angola não está mal, mas podemos fazer mais e melhor”, sublinhou, apontando a agricultura familiar como o grande pilar da sustentabilidade nacional. 

   O ministro revelou ainda que estão em curso vários programas estruturantes para dinamizar o sector, com destaque para os projectos aprovados com o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento para a Região Leste. 

A fechar, defendeu uma abordagem integrada que coloque a nutrição no centro das políticas públicas, apelando a uma maior inclusão de jovens e mulheres no ecossistema agro-alimentar.

ONU destaca resultados
A coordenadora residente das Nações Unidas em Angola, Amanda Mukwashi, afirmou que a inovação, o investimento, o reforço das capacidades humanas e a cooperação multilateral são as chaves para transformar o potencial agrícola do país em prosperidade partilhada.

“Segurança alimentar não é apenas sobre alimento, é sobre pessoas”, defendeu, apelando a um maior apoio a mulheres, jovens e pessoas com deficiência para garantir uma participação inclusiva nos sistemas agro-alimentares.

Na ocasião, Mukwashi felicitou o Governo angolano pelo compromisso assumido com a nutrição e pela parceria estratégica com a FAO e demais agências da ONU. Como exemplo prático desse impacto, a responsável destacou que, no Sul de Angola, mais de sete mil agricultores — sendo mais de metade mulheres — receberam formação especializada para optimizar a produção e enfrentar os efeitos das alterações climáticas.

Além disso, os programas de nutrição em curso já assistiram mais de 13 mil pessoas, incluindo crianças, grávidas e lactantes, ao passo que mais de 116 mil cidadãos passaram a usufruir de melhor acesso à água potável. 

Apesar dos avanços, a coordenadora reconheceu que o país ainda enfrenta duros desafios decorrentes da seca e da conjuntura económica, o que exige a busca contínua por soluções inovadoras, simples e práticas para mitigar a vulnerabilidade das populações.