O almejado pleno das equipas angolanas nas Afrotaças cedo começou a desmoronar, porque a equipa às ordens do brasileiro Léo Neiva não foi de modas. Tratou de mostrar a falta de prontidão para grandes exigências nas provas continentais, dada a incapacidade de assumir a posse da bola e trocar pelo menos três passes.
Sem contemplações, Clément Pitroipa aumentou o peso do fardo dos palanquinos na disputa da eliminatória, ao fazer (1-0), aos 10 minutos. A montanha a escalar pelo clube de Bento Kangamba passou a ser de cinco golos, para passar, e quatro, no cenário de empate da eliminatória. E porque tudo parecia fadado a correr mal, Ben Arfa rejeitou, aos 17 minutos, a hipótese de ser feliz, ao preferir inventar uma assistência a Mpiana, quando tinha apenas de rematar.
Fruto do amplo domínio da partida, frente a um Kabuscorp sem escolaridade futebolística para tão elevado nível de exigência, Prince Soussou apontou o 2-0, aos 37 minutos, num desentendimento entre os centrais e o guarda-redes Brudel Efonge, contratado no último defeso ao Maniema.
O jogo pedia apenas a definição dos números do triunfo da formação congolesa, dado o completo à vontade no domínio dos acontecimentos. O apito para o intervalo trouxe o desafogo momentâneo dos jogadores do Kabuscorp, no entanto assoberbados mal regressaram dos balneários, porque a enxurrada ofensiva do adversário aumentou de caudal.
Com efeito, o marcador ficou pintado, aos 51 minutos, por números mais consentâneos com a produção dos donos da casa, após o golo de Souleymane Kane. Poucas eram as equações matemáticas capazes de sustentar uma combinação numérica favorável ao embaixador angolano na discussão da eliminatória, porquanto a tendência era de o quadro ficar ainda pior.
Uma desatenção do guarda-redes Detan Ogundare, aos 76 minutos, permitiu a Ben Arfa marcar o tento de honra dos visitantes, enquanto Junior Magagula, aos 90 minutos, deu forma final ao resultado, fixando a eliminatória num colossal agregado de 8-2. A equipa às ordens de Mauril Njoya Mesak pode sair no sorteio ao 1.º de Agosto, na fase de grupos.
Resignação de Neiva
Na sala de imprensa, o técnico foi directo ao ponto na análise da eliminatória. Felicitou o adversário pelo mérito do apuramento e criticou os pupilos por terem repetido erros, razão pela qual não mereceram avançar para a fase de grupos.
Declaração
Léo Neiva- Técnico do kabuscorp
O jogo de hoje era muito complicado
“Primeiro, felicitar o adversário por ter continuado, por mérito total. O jogo de hoje foi muito complicado para o Kabuscorp. Todos sabiam que a grande vantagem era do Maniema, pelo grande acidente que ocorreu em Luanda. Mais uma vez, a equipa começa a jogar bem, a enfrentar o adversário de igual para igual, cria oportunidades. Só que sofremos o primeiro golo num momento crucial, por volta dos 12 minutos. Neste tipo de competição não se pode cometer os erros que o Kabuscorp cometeu. Uma equipa que sofre oito golos em dois jogos, e faz somente dois, não merece realmente passar de fase”.

