O balanço parcial da operação foi apresentado ontem, em Luanda, pela coordenadora nacional do Programa Alargado de Vacinação (PAV), Alda de Sousa, que destacou o forte engajamento das equipas médicas na mobilização porta-a-porta e nos postos fixos em todo o país.
Em entrevista ao Jornal de Angola, Alda de Sousa sublinhou que os indicadores apresentados são preliminares, cobrindo apenas os primeiros três dias da operação. A coordenadora nacional explicou que a equipa aguarda a centralização dos relatórios consolidados provenientes dos municípios de todo o território nacional para divulgar o balanço final.
Alda de Sousa garantiu que, apesar dos constrangimentos registados, como as chuvas, fraca rede de Internet em certas províncias, para enviar os dados em tempo real, e a rejeição por parte de algumas famílias, as equipas no terreno vão continuar a fazer todos os esforços para atingir a meta prevista, que é de imunizar 10.910.683 crianças até aos nove anos.
A coordenadora do PAV sublinhou, ainda, a importância da vacinação, lembrando que as vacinas são seguras, gratuitas e salvam vidas. A responsável acrescentou que a principal função da imunização é proteger as crianças contra doenças graves como a poliomielite, o sarampo, a rubéola e a febreamarela.
Alda de Sousa alertou que estas patologias, além de altamente contagiosas, podem deixar sequelas irreversíveis ou, em casos mais extremos, levar à morte.“Acreditamos que o dia de ontem e hoje são os mais produtivos devido ao regresso às aulas, porque as escolas e creches garantem uma concentração massiva e regular onde podemos encontrar o público-alvo”, realçou.
De acordo com a responsável, o objectivo da campanha de vacinação contra a pólio é interromper a circulação do poliovírus e proteger as crianças contra a paralisia infantil, uma doença incapacitante e posteriormente fatal.
Empenho dos vacinadores
Alda de Sousa destacou o empenho dos vacinadores, supervisores e mobilizadores,bem como a colaboração das comunidades que têm facilitado a entrada das equipas em suas casassaúde infantil.
A coordenadora do PAV aconselhou os pais e encarregados de educação que ainda não levaram os filhos para serem vacinados, a aproveitarem o dia de hoje para fazê-lo, porque a vacina salva vidas.
Angola está livre do poliovírus selvagem
Desde 2015 que Angola permanece certificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) como livre do poliovírus selvagem.
Mas o país continua em alerta e a combater a circulação do poliovírus, especialmente as variantes derivadas da vacina, o que levou o Governo e autoridades de saúde a realizarem campanhas de vacinação em grande escala.
Em 2025, Angola confirmou dezenas de casos de poliovírus em algumas províncias, com realce para Benguela, Huambo e Cuanza-Norte.
A poliomielite (pólio ou paralisia infantil) é uma doença infecto-contagiosa aguda causada pelo poliovírus, que ataca o sistema nervoso central e pode provocar paralisia irreversível nos músculos, principalmente nas pernas.

