Ao intervir na 4ª edição da Bienal de Luanda, num painel sob o tema “Água, Alterações Climáticas e Formação”, a ministra destacou que África é um continente privilegiado em recursos hídricos, referindo que a Bacia do Congo, da qual Angola faz parte, constitui a segunda maior bacia hidrográfica do continente.

Durante a sua intervenção sobre água e saneamento, Ana Paula de Carvalho sublinhou que o ciclo da água não deve terminar apenas na distribuição às populações, mas incluir igualmente a recolha e o tratamento das águas residuais antes da sua devolução ao meio ambiente ou reutilização em actividades como agricultura e limpeza.

"A água é vida, é riqueza e um recurso estratégico que precisamos proteger", afirmou, acrescentando que a preservação deste bem é fundamental para o consumo humano, a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável.

No domínio das políticas ambientais, destacou a criação da Direcção Nacional de Educação Ambiental e a implementação da Estratégia Nacional de Educação Ambiental 2022-2035, instrumento que prevê sensibilizar cerca de 80 por cento da população até ao final do período de vigência.
Ana Paula de Carvalho referiu ainda que Angola dispõe de uma Estratégia Nacional para as Alterações Climáticas, aprovada pelo Decreto Presidencial n.º 236/22, estruturada em cinco pilares fundamentais: mitigação, adaptação, capacitação, financiamento, pesquisa e observação sistémica.

Relativamente à mitigação, destacou os avanços registados no sector energético, com a substituição gradual das fontes térmicas por energias limpas, provenientes de barragens hidroeléctricas, centrais de ciclo combinado e sistemas solares, contribuindo para a redução das emissões de gases com efeito de estufa.

A responsável apontou igualmente a gestão de resíduos como um dos desafios centrais, defendendo a criação de centros de valorização e aterros sanitários para reduzir a contaminação dos solos e das águas subterrâneas.

Neste contexto, anunciou a implementação de projectos de infra-estruturas de tratamento de resíduos no Huambo, Icolo e Bengo e Cabinda, bem como programas de reforço de meios para o transporte e acondicionamento adequado dos resíduos sólidos urbanos.

Sobre a adaptação às alterações climáticas, a ministra alertou para os impactos já sentidos nas províncias do Cunene, Huíla, Namibe, Cuando e Cubango, onde os fenómenos de seca prolongada têm afectado as populações e a produção agropecuária.

Como resposta, destacou projectos estruturantes como os canais do Cafu, Ndue e Calucuve, concebidos para assegurar o abastecimento de água às comunidades, garantir o abeberamento do gado e apoiar a actividade agrícola.

Defendeu igualmente o reforço da capacitação técnica e científica, bem como a mobilização de financiamento internacional para apoiar os países africanos na luta contra as alterações climáticas.

"Apesar de África ser o continente que menos contribui para as emissões globais de gases com efeito de estufa, continua entre os mais afectados pelas consequências do aquecimento global", afirmou a ministra.

Lembrou ainda que Angola está comprometida com os instrumentos internacionais sobre alterações climáticas, biodiversidade e combate à desertificação, alertando para o avanço do deserto do Namibe em direcção à província de Benguela, fenómeno associado aos efeitos das mudanças climáticas.

"O Executivo continua a desenvolver programas e planos de adaptação climática, incluindo o Plano de Acção Nacional para Adaptação Climática (2022-2035) e o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola", concluiu.