No discurso sobre o Estado da Nação, o Chefe de Estado apontou a acessibilidade desportiva, a formação de talentos, a valorização dos atletas e o reforço dos equipamentos como prioridades da política desportiva nacional.
“A massificação da prática desportiva, a formação de talentos, a valorização dos atletas e o reforço das infra-estruturas são áreas prioritárias da nossa estratégia para o desenvolvimento do desporto nacional”, afirmou.
O Estadista reconheceu, também, o papel do desporto na promoção da saúde, na inclusão social, na educação e na afirmação de Angola. A construção das duas novas infra-estruturas constitui mais um passo na diversificação das condições de treino e competição, com perspectivas de desenvolvimento do automobilismo, do motociclismo e do ciclismo em pista.
“O país vai ter um autódromo com os padrões internacionais na província do Namibe e um velódromo para competições de motos e ciclismo em pista, em Benguela”, anunciou o Presidente da República, numa das passagens de maior destaque do discurso dedicado ao sector desportivo.
Novas infra-estruturas
O Titular do Poder Executivo recordou que, há um ano e na mesma tribuna onde discursou ontem, anunciou a entrada em funcionamento dos recintos do Uíge e do Huambo.
“Há um ano, nesta mesma Casa das Leis, anunciei que colocaríamos ao serviço do país os estádios do Uíge e do Huambo. Hoje, o Estádio Nacional Vicy António e o Estádio Nacional Daniel Lutucuta estão de portas abertas aos angolanos”, declarou João Lourenço.
O Presidente da República informou ainda que 24 novas infra-estruturas desportivas se encontram em execução em diferentes províncias.
O programa, segundo o Chefe de Estado, demonstra o compromisso do Executivo com a expansão e a qualificação da prática desportiva em todo o território nacional.
A aposta em novos equipamentos procura criar melhores condições para a preparação dos atletas, alargar o acesso dos cidadãos à actividade física e reforçar a capacidade do país para acolher competições de dimensão nacional e internacional.
Afrobasket’2025
Entre os principais acontecimentos desportivos dos últimos anos, João Lourenço destacou a organização do AfroBasket’2025, que voltou a colocar Angola no centro do basquetebol africano. Pela quarta vez, o país recebeu a competição, que reuniu em Luanda e Moçâmedes as 16 melhores selecções do continente.
“A organização dessa competição demonstrou a capacidade institucional, logística e humana do nosso país para receber eventos desportivos de grande dimensão, mobilizar a sociedade e projectar internacionalmente a imagem de uma Angola confiante, acolhedora e preparada para grandes realizações”, sublinhou.
A conquista do 12.º título africano pela Selecção Nacional sénior masculina constituiu, segundo o Presidente, dos momentos mais marcantes do campeonato. O triunfo devolveu a Angola um troféu que não conquistava desde 2013 e reforçou a posição do país entre as principais potências do basquetebol continental.
O Chefe de Estado considerou que o AfroBasket’2025 fica inscrito na memória colectiva como uma das páginas mais gloriosas do desporto nacional, numa competição que aliou a capacidade organizativa do país ao sucesso desportivo da Selecção Nacional.
No andebol, João Lourenço enalteceu o percurso da Selecção Nacional sénior feminina, que conquistou, em 2024, o 16.º título africano. Angola mantém-se como a maior vencedora da competição e a Selecção com mais conquistas consecutivas.
“Esta hegemonia, construída ao longo de várias gerações, constitui um património do desporto nacional e demonstra a força da formação, da organização dos clubes e da dedicação das atletas angolanas”, realçou o Presidente da República.
Desporto adaptado
A Selecção Nacional de futebol para amputados mereceu também uma referência especial no discurso presidencial. Angola conquistou o título mundial em 2018, venceu o Campeonato Africano em 2019 e alcançou o segundo lugar nos Campeonatos do Mundo de 2014 e 2022.
O percurso da equipa representa, segundo o balanço apresentado, um exemplo de excelência, inclusão e superação, valores que reforçam o papel do desporto adaptado na valorização das capacidades dos atletas e na promoção de oportunidades para todos.
Nas modalidades individuais, os resultados de 2025 também mereceram destaque. No Campeonato Africano de Judo de Juniores, Angola conquistou 16 medalhas, das quais três de ouro, uma de prata e 12 de bronze, resultado que garantiu o terceiro lugar no quadro geral.
No Campeonato Mundial de Artes Marciais Mistas, a representação angolana somou 11 medalhas, distribuídas por três de ouro, uma de prata e sete de bronze. Os resultados confirmam o potencial dos atletas nacionais e reforçam a necessidade de investimento contínuo na formação, no acompanhamento técnico e na valorização das modalidades individuais.
No balanço geral, João Lourenço revelou que os atletas angolanos conquistaram, durante o ciclo em referência, 227 medalhas de ouro, 221 de prata e 244 de bronze.
Massificação
A organização dos Jogos Africanos da Juventude, que reuniu 54 países e 25 modalidades, integrou também o balanço do Presidente da República, que destacou a capacidade de Angola para acolher eventos internacionais e proporcionar oportunidades de competição aos jovens.
“A nossa política desportiva não se limita aos pódios”, afirmou João Lourenço, antes de apresentar os resultados das actividades desenvolvidas junto das comunidades.
Segundo o Chefe de Estado, Angola realizou 6.720 actividades desportivas comunitárias, que envolveram mais de 11 mil equipas e perto de 300 mil praticantes. Os números demonstram a dimensão dos programas de massificação e a importância da actividade física para a participação social, sobretudo entre os jovens.
O Presidente da República destacou ainda a realização, pela primeira vez em Angola, de uma etapa do Campeonato Mundial de Corrida de Barcos Eléctricos E1. A quinta etapa da competição decorreu na baía de Luanda, com a presença de artistas e desportistas de classe mundial, numa iniciativa que contribuiu para projectar a imagem do país e potenciar o turismo.
Na conclusão da abordagem ao sector, João Lourenço sublinhou a dimensão social dos investimentos desportivos, ao defender que cada equipamento representa uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e de integração dos jovens.
“Cada pista, cada pavilhão e cada estádio que abrimos em Angola representa mais do que uma infra-estrutura. Representa, antes, um caminho de vida para o jovem angolano que, de outro modo, poderia não encontrar a oportunidade para desenvolver o seu talento, fortalecer o seu carácter e participar activamente na construção da Nação”, declarou.

