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Vítor Pereira concedeu, esta segunda-feira, uma extensa entrevista ao portal norte-americano The Athletic, na qual quebrou o silêncio a propósito da maneira como foi demitido do comando técnico do Nottingham Forest, no passado dia 2 de julho, menos de cinco meses depois de ter sido oficialmente apresentado como treinador, e de dois após ter garantindo a manutenção na Premier League.

"Foi uma completa surpresa. Eu nunca ouvi nada que me fizesse sentir ou pensar que não estavam a pensar em mim. No final, eles tinham o direito de decidir aquilo que queriam para o clube, e eu aceito, mas a única coisa que não foi decente foi a maneira como o fizeram. Essa foi a única coisa que não foi justa", começou por afirmar.

"Enviar um email... dois minutos antes da meia-noite, quando tínhamos organizado tudo para a pré-época. Se me tivessem dito 'Vítor, ainda que tenhas organizado tudo, temos outra possibilidade'... Tudo bem, é o futebol. Na minha carreira, tenho muitos anos a trabalhar em diferentes países, em culturas diferentes. Eu tenho muita experiência, e sei que, no futebol, por vezes, é assim", prosseguiu.

"Mas tudo bem, eu não sou o tipo de pessoa que carrega o passado. Prefiro viver no presente, e o presente é estudar e preparar-me, para ficar mais forte para a próxima oportunidade. Eu quero manter a minha mente no trabalho que fizemos, lá, e sinto o amor dos adeptos, das pessoas do clube e dos jogadores. É isso que mantenho no meu coração e na minha mente", completou.

Vítor Pereira chegou a ser apontado como candidato a suceder a Rui Borges no comando técnico do Sporting, antes de a escolha ter, aparentemente, recaído sobre o (ainda) treinador do Olympique Lyon, o compatriota Paulo Fonseca. Ainda assim, sublinhou, neste momento, só lhe passa pela cabeça regressar ao ativo na Premier League.

"Portugal é para viver, Inglaterra é para trabalhar. Estou à espera da chuva para começar a trabalhar. O futebol é algo de viciante, algo que, quando estás habituado a viver, é quase impossível deixar por completo, mas, depois de uma época difícil para mim, o primeiro mês foi um bom período para relaxar um pouco, para recarregar baterias", apontou.

"No último mês, comecei a trabalhar, a analisar as melhores equipas. Não apenas as da Premier League, mas as melhores equipas de todo o lado, para tentar aprimorar a minha ideia de futebol, para perceber novas táticas, as novas ideias dos outros treinadores, criar novos exercícios... E esta é a maneira de aumentar o nosso nível", acrescentou.

A terminar, o treinador português sublinhou que, agora, o objetivo passa por dar um passo em frente, depois do trabalho desenvolvido ao leme de Nottingham Forest e Wolverhampton: "Eu não sou um bombeiro. Eu quero colocar-me à prova a lutar e a competir com os melhores treinadores do campeonato, para fazer algo de especial".

"Quando começas a meio da época, é porque algo não está a correr bem. Isso significa que tenho de aceitar e tenho de começar com energia, dando os passos certos para construir algo de forte, mas o meu objetivo, no futuro, é jogar por títulos, na Premier League. Se olhares para a minha carreira, antes de Inglaterra, trabalhei quase sempre para conquistar títulos", concluiu.

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