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No Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, a maioria dos credores votou contra o plano apresentado pela Boavista SAD, que previa só atuar esta temporada com a equipa de sub-19 na respetiva II Divisão nacional.

"Não tenho qualquer satisfação com uma perda de mais de nove milhões de euros (ME) de dívida, que nunca receberemos da SAD. É um dia triste, mas só se constatou um fim há muito evidente: a falência total do futebol profissional", afirmou à Lusa o presidente do Boavista clube, Rui Garrido Pereira, cuja entidade detém 10% do capital social daquela sociedade.

A sessão tinha começado em 11 de agosto, mas foi suspensa no mesmo dia e retomada hoje, ditando a rejeição de um documento que reduzia ao mínimo indispensável a atividade desportiva da Boavista SAD.

Os 'axadrezados' abdicaram da inscrição no segundo escalão da AF Porto, para o qual tinham sido despromovidos na época passada, com a vaga a ser ocupada pelo Varziela, terceiro classificado da terceira divisão distrital.

Em 2025/26, uma temporada depois da despromoção da I Liga, a Boavista SAD desceu ao segundo escalão da AF Porto, ao fechar a principal divisão na 17.ª e penúltima posição, com 14 pontos, a 28 da zona de manutenção.

A sociedade jogou como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, que está inutilizado há mais de um ano, e tem quatro impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA.

Essas restrições vigoraram em anos anteriores e reapareceram em 2025, travando a utilização de reforços e forçando a Boavista SAD a alinhar com atletas dos sub-19, que se mantiveram na II Divisão nacional do escalão.

O tribunal já tinha decretado a liquidação da sociedade em maio, após o administrador de insolvência, Reinaldo Mâncio da Costa, decidir não levar o plano de recuperação a votação, devido à provável rejeição dos credores.

Sem equipa profissional e relegada administrativamente para os escalões distritais em 2025, devido a problemas financeiros, a Boavista SAD entregou um novo plano para travar a liquidação, sem impedir a oposição dos credores.

Em paralelo, o tribunal deferiu há quase um mês o pedido de reabertura da atividade do Boavista clube, que foi auxiliado pelo movimento 'Salvar o Boavista' na angariação da verba necessária para inverter uma decisão comunicada em julho pela administradora judicial, Maria Clarisse Barros.

Fundado em 1903 e detentor de nove troféus nacionais no futebol sénior masculino, apenas atrás de Benfica, FC Porto e Sporting, o Boavista foi autorizado a recomeçar a atividade, desde que as suas despesas mensais correntes sejam asseguradas com regularidade até ao fim de 2026/27.

Os 'axadrezados' submeteram um plano de recuperação no tribunal, um dia antes do anúncio do encerramento da atividade, e filiaram-se na AF Porto para a nova época, sem saberem em que escalões podem competir.

O Boavista teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025, após dívidas superiores a 150 milhões de euros (ME), mas, três meses depois, chegou a acordo com os credores em tribunal para manter a atividade e comprometeu-se a cobrir o défice corrente da sua exploração, cenário quebrado em junho e que levou Maria Clarisse Barros a decretar o enceramento do clube, afetando quase 1.500 atletas, de 31 modalidades.

Ao descer pela via desportiva à II Liga em maio de 2025, a Boavista SAD encerrou uma passagem de 11 épocas seguidas pelo escalão principal, no qual se tornou um dos cinco campeões nacionais da história do futebol português em 2000/01.

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