Num relatório, o Comité para a Eliminação da Discriminação Racial declarou que “devem ser implementadas medidas reparatórias abrangentes para pessoas de ascendência africana, cobrindo todos os aspectos de reparação”. O documento pode tornar-se uma ferramenta poderosa para a campanha pelas reparações. Exige justiça que seja “monetária, não monetária e estrutural”.
Isto acontece após um momento importante em Março, quando a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução liderada pelo Ghana que condena o comércio transatlântico de escravos como “o crime mais grave contra a humanidade”. A votação foi esmagadora: 123 votos a favor. Mas os Estados Unidos, a Argentina e Israel votaram contra, enquanto 52 países, incluindo o Reino Unido e todos os 27 membros da UE, se abstiveram.
Em Junho, os líderes de África e das Caraíbas reuniram-se no Ghana. A sua mensagem era clara: peçam desculpa, devolvam o que foi levado e paguem o que é devido. Exigiram a devolução de artefactos culturais saqueados. Entre os séculos XV e XIX, pelo menos 12,5 milhões de africanos foram transportados acorrentados, principalmente de centros nas costas atlânticas do Ghana, da Nigéria e do Senegal, com destino às Américas. Foram obrigados a trabalhar em plantações, minas e como empregados domésticos em condições brutais e sem remuneração. Muitos morreram. Uma geração foi devastada.
A ONU considera este o maior deslocamento forçado da história da humanidade. O documento refere que o tráfico de escravos “distorceu as relações económicas globais” e “distribuiu injustamente a riqueza acumulada”. O seu impacto persiste. É por isso que a ONU afirma que é agora uma “responsabilidade partilhada”. As recomendações baseiam-se num tratado juridicamente vinculativo de 1965 sobre a discriminação racial. Alguns países envolvidos no tráfico de escravos defendem que a lei não existia na época.

