Na semana passada, Félix Tshisekedi detalhou, numa comunicação à nação, as modalidades de um diálogo nacional destinado a reconciliar um país com uma história marcada por crises, excluindo a participação do grupo armado M23, que tomou várias áreas de território no leste do país com o apoio do Rwanda.
Uma parte da oposição, que há muito reclama a realização de um diálogo nacional, pretende incluir representantes do M23 ou do antigo Presidente Joseph Kabila (2001-2019), condenado à morte à revelia pela Justiça congolesa em setembro de 2025 por "cumplicidade" com o grupo armado.
A oposição política congolesa está também unida contra um projeto de alteração da Constituição defendido pela maioria no poder e que poderá permitir ao Presidente congolês, eleito em 2019 e reeleito em 2023, candidatar-se a um terceiro mandato na sequência de um referendo.
Entretanto, a jornalista e influencer congolesa Denise Dusauchoy foi detida no passado fim de semana na Tanzânia, a pedido das autoridades da RDC. Num comunicado divulgado na segunda-feira, o Ministério da Justiça congolês afirmou que a detenção ocorreu em cumprimento de um mandado emitido por um tribunal do país. Kinshasa indicou que a medida faz parte de várias investigações criminais em curso e não presume a sua culpa.
Dusauchoy, crítica do Governo do Presidente Félix Tshisekedi, manifestou abertamente o seu apoio à AFC/M23, uma coligação rebelde que controla vastos territórios no Leste da RDC, num conflito que opõe o grupo às Forças Armadas Congolesas. Em Dezembro de 2024, foi condenada a três anos de prisão em Kinshasa por disseminar boatos falsos, falsificação e injúrias públicas.

