O projecto foi apresentado durante um seminário que reuniu responsáveis governamentais, especialistas, técnicos e outros actores ligados aos sectores da Saúde, Ambiente, Agricultura, Biodiversidade e Saúde animal.
Na ocasião, o secretário de Estado para a Acção Climática e Desenvolvimento Sustentável, Nascimento da Costa Soares, disse que Angola, enquanto país com elevada riqueza ecológica, deve adoptar medidas preventivas para reduzir os riscos associados à degradação dos ecossistemas.
De acordo com o responsável, a experiência internacional demonstra que a alteração dos ecossistemas pode aproximar os humanos, a vida selvagem e os animais domésticos, criando condições favoráveis ao surgimento e à propagação de doenças.
A iniciativa
O projecto Nature for Health procura reduzir o risco de pandemias e outros problemas relacionados com a saúde através da intervenção sobre factores ambientais, reforçando a dimensão ambiental da abordagem “Uma Só Saúde”.
A iniciativa parte do princípio de que a saúde humana, a saúde animal e a saúde dos ecossistemas estão interligadas e que a prevenção de doenças deve começar antes do surgimento de uma emergência sanitária.
A especialista em Natureza, Clima e Ambiente do PNUD e coordenadora técnica do projecto, Adjany Costa, explicou que o Nature for Health (N4H) representa uma mudança de paradigma em relação a anteriores intervenções realizadas.
Enquanto alguns projectos têm estado mais concentrados na resposta a doenças já estabelecidas, explicou, o Nature for Health pretende actuar na prevenção primária, procurar evitar, na origem, o chamado transbordamento de agentes patogénicos dos animais para os seres humanos. “Proteger o ecossistema é proteger a saúde humana”, disse.
Adjany Costa informou que entre os riscos sanitários que poderão ser considerados no âmbito do projecto estão doenças zoonóticas, transmitidas por vectores animais para os sereshumanos, como Marburg, Ébola, Dengue e Malária.
“A definição das doenças e das áreas geográficas prioritárias ainda está em curso e vai depender de um diagnóstico do sistema sanitário e ambiental nacional”, disse, tendo apontado situações específicas, incluindo os desafios sanitários registados em Cabinda e preocupações relacionadas com doenças como a Mpox, que poderão ser consideradas durante o processo de diagnóstico e definição das prioridades.
A iniciativa conta com o apoio de parceiros internacionais, entre os quais o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Programa das Nações Unidas para o Ambiente, a Organização Mundial da Saúde, a Organização Mundial da Saúde Animal, a União Internacional para a Conservação da Natureza, o Secretariado da Convenção sobre a Diversidade Biológica e o Ministério Federal Alemão do Ambiente, Conservação da Natureza, Segurança Nuclear e Protecção dos Consumidores.
A especialista reconheceu que questões culturalmente sensíveis, como o consumo de animais selvagens, exigem uma abordagem cuidadosa e baseada no diálogo com as comunidades.
Por seu turno, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Carlos de Sousa, reforçou a importância da cooperação intersectorial para garantir que a abordagem “Uma Só Saúde” seja transformada em acções concretas de prevenção.

