O itinerário da caravana, liderada pelo arcebispo D. Filomeno Vieira Dias, foi alternado com caminhadas a pé e de autocarros mobilizados para a jornada espiritual e de devoção à Virgem Maria.
A romaria, com destino ao palco da maior manifestação religiosa em Angola, teve início às 7h00, e o ponto de partida foi o Seminário Maior de Luanda, onde, antes, os peregrinos participaram numa missa matinal celebrada por D. Filomeno Vieira Dias.
O vice-coordenador da actividade, padre Salvador Pereira, salientou que um grupo, composto por 70 peregrinos de diferentes paróquias de Luanda, decidiu assumir o desafio de cumprir o percurso a pé até ao Santuário da Muxima.
De acordo com o sacerdote, a iniciativa constitui uma verdadeira demonstração de devoção à Nossa Senhora da Conceição da Muxima, frisando que a caminhada representa, também, um momento de evangelização.
Durante a trajectória, o padre apelou aos peregrinos no sentido de fazerem uma reflexão e a reencontrar-se, a fim de redescobrirem aquilo que consideram essencial na vida cristã.
Expectativa
Ao longo do percurso, os fiéis clamavam por força para os cansados, consolo para os que sofrem, renovação da esperança daqueles que perderam a coragem, para que Deus acompanhe os seus passos e lhes conceda força durante a jornada.
Para Alfredo Guimarães, afecto à Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, a peregrinação não representa apenas um momento de fé, oração e renovação espiritual.
“Esta é uma caminhada de sacrifício e de esperança, na qual entregamos a Deus as nossas preocupações e agradecemos pelas bênçãos recebidas”, disse, acrescentando que a expectativa de estar no local da peregrinação é positiva.
Nazaré do Nascimento, da Paróquia de São Clemente, que participa pela primeira vez, frisou que a peregrinação é uma oportunidade para renovar a fé e aproximar-se mais de Deus e dos irmãos.
“Já fui outras vezes de táxi ou boleia, mas nunca a pé. Apesar do cansaço, estou aqui para participar, acreditando que Deus nos dará uma força especial para chegar ao destino, porque caminhamos unidos pela mesma esperança e pelo desejo de pedir protecção, saúde e paz para as nossas famílias”, disse.
Apelo dp arcebispo
O arcebispo de Luanda, D. Filomeno Vieira Dias, exortou os fiéis a participarem na marcha com destino ao Santuário de Nossa Senhora da Muxima, a transformar cada passo numa expressão de fé, amor, esperança e renovação espiritual.
Ao transmitir a bênção, frisou que, mais do que uma simples caminhada, a jornada representa um momento de encontro com a fé e com os irmãos de outras paróquias.
O arcebispo explicou que a caminhada representa mais do que um exercício físico, por envolver, também, a mente, o coração e a vontade dos fiéis de estarem mais próximos de Deus.
“Este acto é uma verdadeira manifestação pública de fé, esperança e compromisso com o bem e a verdade”, disse, salientando que o peregrino sai do lugar habitual para se aproximar de um espaço que fala do sagrado e do divino, levando consigo a esperança, preocupações e a vontade de se reencontrar espiritualmente.
Para o arcebispo, esta expressão religiosa é, também, um encontro entre a fé e a cultura, levando às ruas da cidade uma mensagem de esperança e fraternidade.
Reconhecido papel do Chefe de Estado na requalificação do local santo
A intervenção do Presidente da República, João Lourenço, foi crucial para o arranque do Projecto de Requalificação da Vila da Muxima, cujo investimento inclui a construção de uma nova basílica, reconheceu, quinta-feira, o bispo de Cabinda.
D. Belmiro Chissengueti destacou esse empenho durante a homilia da primeira celebração eucarística da peregrinação ao Santuário da Muxima, na qual ressaltou que, “ graças ao apoio abnegado do Chefe de Estado, já é possível vislumbrar o futuro e a beleza do Santuário”, que não se circunscreve apenas na perspectiva física, mas na atracção de peregrinos de todo o mundo.
Na missa, dedicada à juventude, o bispo sublinhou que a passagem e a bênção do Papa Leão XIV ao Santuário da Muxima, em Abril deste ano, catapultou a sua dimensão, tornando-o mais conhecido nacional e internacionalmente.
D. Belmiro Chissengueti pediu aos jovens e a toda comunidade católica para que cuidem do espaço, tornem-no mais conhecido, de modo a estimular mais visitas.
O Santuário, salientou, orgulha todos os angolanos pela grande qualidade e condições que estão a ser criadas.
“A nossa palavra de reconhecimento é dirigida ao Mais Alto Magistrado da nação, que tomou, assim, a responsabilidade e a dianteira da construção deste Santuário, que, recentemente, teve a visita e a bênção do Santo Padre, num momento altíssimo da caminhada e da história deste lugar”, disse, acrescentando que, após a primeira pedra lançada a 21 de Abril de 2022, o contínuo desenvolvimento da obra deixa a comunidade católica impressionada.
Manuela Mateus | Muxima
Luísa Victoriano e Eduardo Cunha | Malanje

