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O alerta para a situação nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, no norte, consta do mais recente boletim do Grupo de Saúde de Moçambique (Health Cluster Mozambique), mecanismo coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que reúne organismos públicos, agências das Nações Unidas e organizações não-governamentais para responder a emergências sanitárias.
Segundo o documento, o Plano de Resposta Humanitária para 2026 prevê prestar assistência a 409.968 pessoas em 18 distritos das três províncias, regiões afetadas em parte pelo conflito armado por grupos insurgentes, deslocações populacionais e fenómenos climáticos extremos.
Até ao final de agosto, os parceiros do setor da saúde tinham alcançado 280.544 beneficiários, o equivalente a cerca de 69% da meta definida para este ano.
"O cluster da saúde atingiu 280.544 pessoas de uma meta de 409.968", refere o boletim.
O relatório assinala que as necessidades humanitárias continuam elevadas, estimando em 488 mil o número de pessoas que necessitam de assistência sanitária nas três províncias abrangidas pela resposta.
Segundo o documento, as populações deslocadas, retornadas e comunidades de acolhimento continuam a enfrentar dificuldades de acesso a cuidados médicos, num contexto agravado pela persistência da insegurança em algumas zonas de Cabo Delgado, devido aos ataques de insurgentes naquela província, rica em gás, que desde 2017 já provocaram mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhão de deslocados, segundo organizações internacionais.
"O conflito em Cabo Delgado continua a afetar o acesso aos serviços de saúde e a aumentar as necessidades humanitárias", refere o boletim.
Durante o mês de agosto, os parceiros do Grupo de Saúde realizaram 30.501 consultas médicas através de clínicas móveis em Cabo Delgado e Nampula, garantindo o acesso a cuidados de saúde em áreas com serviços limitados ou danificados.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) assegurou 26.326 consultas de saúde em sete distritos abrangidos pela resposta humanitária, tendo realizado ainda 1.590 consultas de saúde mental e apoio psicossocial, uma das áreas que os parceiros identificam como prioritária numa região afetada por anos de violência armada e deslocação de populações.
Já a organização humanitária Action Contre la Faim (ACF) promoveu 1.343 consultas médicas em oito comunidades do distrito de Mueda, em Cabo Delgado, incluindo assistência a crianças e mulheres grávidas.
No âmbito da saúde materna, a ACF realizou 63 primeiras consultas pré-natais e 195 consultas de acompanhamento da gravidez durante o mês de agosto.
O boletim destaca os desafios colocados pelas deslocações populacionais e pelas condições precárias de acesso a água potável, saneamento e cuidados básicos de saúde, fatores que aumentam o risco de surtos de doenças.
Os parceiros do setor alertam para a insuficiência dos recursos disponíveis para responder às necessidades identificadas.
"O requisito financeiro para 2026 é de 16 milhões de dólares (13,7 milhões de euros)", indica o documento, acrescentando que persistem constrangimentos de financiamento e dificuldades na recolha e consolidação de informação operacional fornecida por alguns parceiros.
Os dados são divulgados numa altura em que o norte de Moçambique continua a enfrentar uma situação humanitária complexa, marcada pelos efeitos da insurgência armada em Cabo Delgado, deslocações internas de população e eventos climáticos extremos que agravam as necessidades de comunidades já vulneráveis.
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