O resultado foi alcançado num período marcado por fortes chuvas e enxurradas, que trouxeram constrangimentos às comunidades, mas também contribuíram para aumentar as reservas de água destinadas à agricultura e à pecuária.
O director provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, Carlos José Ndanyengondunge, considera que os objectivos definidos para a campanha foram alcançados.
Na campanha, estiveram envolvidas mais de 150 mil famílias agrícolas acompanhadas pelo sector. São produtores que, apesar das dificuldades impostas pelas condições climáticas, contribuíram para aproximar a província da meta de produção estabelecida.
No balanço feito pelo responsável, as chuvas tiveram um efeito que ultrapassou a simples reposição da humidade dos solos. Com as enxurradas, explica, foi possível distribuir a água e acumular reservas para alimentar o sistema de regadio e garantir água para o gado.
É a partir dessas reservas e das infra-estruturas de irrigação que o sector pretende preparar a próxima campanha. A meta é duplicar o resultado alcançado na época agrícola que agora termina.
Embora tenha como perspectiva o aumento da produção, Carlos José manifesta como preocupação uma ameaça que pode voltar a colocar à prova a capacidade dos agricultores, o fenómeno El Niño, que pelos efeitos que poderá provocar sobre as chuvas e pela possibilidade de agravamento da seca.
“A seca para nós não é bem-vinda”, frisou Carlos José Ndanyengondunge, ao destacar as alterações climáticas como um dos principais constrangimentos que poderão afectar a próxima campanha agrícola.
A resposta passa, entre outras medidas, pela selecção e distribuição de sementes capazes de resistir melhor às condições resultantes do El Niño. A Direcção Provincial da Agricultura está também a reforçar as reservas de factores de produção disponibilizados pelo Ministério da Agricultura e Florestas.
O Canal do Cafu constitui uma das infra-estruturas de referência nesse esforço, beneficiando três municípios. A ele juntam-se os canais do Ndúe e Calucuve, cuja inauguração está prevista para hoje.
A estratégia não se limita às sementes. No Cunene, onde a disponibilidade de água continua a ser determinante para a agricultura e para a pecuária, o reforço do sistema de regadio aparece como uma das principais apostas.
Embora reconheça que as novas infra-estruturas ainda não cobrem todos os municípios e comunas da província, Carlos José Ndanyengondunge acredita que os projectos vão contribuir para reduzir as limitações existentes no sistema de regadio.
“Embora não cubra ainda todos os municípios e comunas, os projectos vão minimizar (as dificuldades) no sistema de regadio”, reconheceu.
Assim, depois de uma campanha em que as chuvas ajudaram a aproximar a produção dos objectivos definidos, o Cunene prepara-se para uma nova etapa. A província quer produzir mais, mas terá de fazê-lo num cenário de incerteza climática, apostando na água armazenada, no regadio e em sementes adaptadas.
A próxima campanha começa, por isso, antes da semente chegar à terra. Começa na preparação das reservas, na recuperação e expansão dos sistemas de regadio e na tentativa de antecipar os efeitos de um fenómeno que as autoridades preferem enfrentar com prevenção do que com improvisação.
Ana Paulo | no Cunene

