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Samu Aghehowa concedeu, esta sexta-feira, uma extensa entrevista ao programa 'La Tribu', emitido pela espanhola Radio Marca, na qual abordou diversos temas, começando, desde logo, pela entorse no joelho direito com rotura total do ligamento cruzado anterior, que o manteve arredado dos relvados durante mais de meio ano.

"Chorei no dia em que me disseram que não ia poder jogar mais. Nesse momento, passaram-me muitas coisas pela cabeça. Percebi que não ia poder participar no Campeonato do Mundo nem ajudar a minha equipa numa época incrível a lutar em todas as frentes. No final, acabámos por ser campeões nacionais", afirmou.

"Chorei por ver os meus colegas a jogar e saber que eu não podia. Perguntei-me muitas vezes 'Por quê eu?' e 'Por quê agora?', especialmente, com o Mundial ao virar da esquina. Foi muito duro. A última vez que chorei foi quando voltei a jogar, porque senti-me livre. Já passou e, agora, posso voltar a fazer aquilo de que tanto gosto", acrescentou.

O regresso à competição deu-se no passado dia 20 de setembro, na vitória conquistada no tão aguardado Clássico da sétima jornada da I Liga, sobre o Benfica, no Estádio do Dragão, por 3-1: "Foi tudo como sonhei. Foi inexplicável. A forma como os adeptos me receberam foi incrível e eu nunca vou esquecer".

"Não estava previsto voltar nesse jogo. Foi um momento muito feliz para mim e para a minha família. Tivemos de gerir a lesão passo a passo. Achava que só ia voltar depois da paragem para as seleções, mas comecei a sentir-me bem nas semanas anteriores e os médicos deram-me alta. Correu ainda melhor do que esperava", confessou.

"Foi um caminho muito longo, mas graças a Deus já chegou ao fim. No final, correu tudo bem. Voltar num jogo tão importante para o Clube, para a cidade e para toda a equipa foi muito especial. Nunca me vou esquecer da forma como fui recebido pelos adeptos. Conseguimos ganhar o jogo e no final correu tudo bem", completou.

Nesta mesma entrevista, Samu Aghehowa não poupou nos elogios tecidos a Francesco Farioli: "Devo tudo ao mister Farioli. Ele sempre confiou em mim, desde o primeiro dia, mas desde a lesão que ainda confiou mais. Transmitiu-me muita confiança, encorajou-me e ajudou-me em tudo o que precisava".

"Tudo isso foi muito importante para mim. Não sabia se ele ia continuar a contar comigo depois da lesão, mas ele deu-me esse voto de confiança, disse-me que contava comigo e mostrou-me o quão importante sou para ele. Sinto-me muito grato. Nem todos os treinadores agem assim", assumiu.

"É um caminho muito longo. Há dias em que não sentes vontade de sair da cama, outros em que dás um passo e sentes que estás cada vez mais perto, mas no dia seguinte voltas a sentir-te pior. É um misto de emoções. Passei muitas horas sozinho, a treinar, enquanto via os meus companheiros a jogar", prosseguiu.

"Agora, tenho consciência de que é preciso aproveitar cada momento, porque nunca sabemos o que pode acontecer. Valorizo muito os treinos com os meus companheiros. Havia dias em que vinha treinar triste ou chateado sem motivo e agora valorizo cada treino. É uma aprendizagem que levo: valorizar cada momento enquanto estamos saudáveis e podemos fazer aquilo de que gostamos", completou.

A terminar, o internacional espanhol 'abriu o livro' a propósito da saída do Atlético de Madrid sobre o FC Porto, no verão de 2024, num negócio que acabaria por ascender aos 32 milhões de euros, tornando-o no mais caro reforço da história do futebol português... sem nunca esquecer aquilo por que passou.

"Estou super agradecido ao Atlético de Madrid. Eu, praticamente sem eles, talvez não estaria onde estou", refletiu, antes de deixar um sublinhado sobre a maneira como foi tratado: "Passaram-se muitas coisas de que também não quero falar, porque foi um período em que passei muito mal".

Questionado diretamente sobre a relação que manteve com o treinador dos colchoneros, o argentino Diego Simeone, o avançado atirou: "Não tenho nada contra ele. é uma luta de interesses, e penso que foram coisas do passado que, no final, uma pessoa esquece. Eu também não sou rancoroso".

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