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"Corinthians viveu segunda pandemia" com exclusão do Movimento dos Clubes Formadores

As categorias de base do Corinthians passam por uma reconstrução. De volta ao Movimento dos Clubes Formadores (MCF) depois da resolução do conflito com o rival Palmeiras nos bastidores, o clube retornou às principais competições do país. No entanto, o impacto dos 18 meses de isolamento na base deve ser sentido ao longo dos próximos anos.

— A categoria de base do Corinthians viveu uma segunda pandemia. Nós ficamos quase dois anos fora das competições nacionais. De 2025 até agora, o Corinthians ficou fora de 38 competições importantes. O menino que hoje é sub-15 do Corinthians perdeu várias competições importantes no sub-14 e no sub-13.

A afirmação é do executivo Erasmo Damiani, responsável pelas categorias de base do Corinthians deste o fim do ano passado. Nesta entrevista ao ge, o dirigente detalha o trabalho de reconstrução do departamento, as negociações pelo retorno ao MCF, o desejo de aumentar a captação de novos talentos pelo Brasil e a dificuldade de lidar com os pais dos jovens talentos do clube.

Damiani ainda garante que, atualmente, a base do Corinthians conta com profissionais de renome no mercado e sem qualquer interferência política do Parque São Jorge.

— Hoje, você não vê uma reclamação na base do Corinthians. Tentamos fazer tudo muito transparente para o funcionário e para a direção. O início aqui foi conturbado, entramos com o Corinthians fora do Movimento, logo teve o caso Flora. Tudo foi conversado com o presidente, nada foi feito de surpresa. Tudo foi aprovado por ele.

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A punição ao Corinthians ocorreu após denúncia do Palmeiras por suposto aliciamento do jovem atacante Pedro Morelli, que pertencia às categorias de base do clube alviverde.

O rival apresentou a denúncia ao Movimento dos Clubes Formadores, acompanhada de provas. Os demais clubes integrantes do grupo analisaram o caso e decidiram pela expulsão do Corinthians.

Em agosto, o clube rescindiu o contrato de Pedro Morelli e, como consequência, voltou ao Movimento.

Erasmo Damiani, executivo da base do Corinthians — Foto: João Pedro Brandão

Qual é a dimensão do retorno do Corinthians ao Movimento dos Clubes Formadores para o desenvolvimento dos garotos da base do clube?

— Imensurável. A categoria de base do Corinthians viveu uma segunda pandemia. Nós ficamos quase dois anos fora das competições nacionais. De 2025 até agora, o Corinthians ficou fora de 38 competições importantes. O menino que hoje é sub-15 do Corinthians, perdeu várias competições importantes no sub-14 e no sub-13.

— Estamos aceitando os convites que recebemos porque são competições importantes e estamos precisando conviver com as diferenças entre outras escolas. Quanto mais competitividade, mais importante para o desenvolvimento.

— Vamos usar como exemplo os meninos que serão do sub-15 em 2027. No sub-13, eles perderam pelo menos quatro competições importantes, no sub-14 mais seis outras competições. Ao todo, deixaram de disputar dez torneios de extrema importância para o aprendizado deles.

Erasmo Damiani detalha dificuldades do Corinthians no mercado das categorias de base

Quais os impactos que o período em que o Corinthians ficou fora do Movimento podem trazer para esses garotos e para o clube a médio e longo prazo?

— Os garotos perdem na questão da competitividade e minutagem de jogos. O Corinthians teve prejuízo com as entradas e saídas de jogadores. Como ficamos fora do Movimento, alguns pais tiraram jogadores do clube. Perdemos menos do que poderíamos ter perdido, mas perdemos peças importantes.

— Agora, não mais. Não tem mais essa desculpa, o Corinthians está de volta às competições. O prejuízo é imensurável, os atletas sofreram, foram prejudicados em seu processo de formação por não ter jogo contra outras escolas. O Corinthians vai começar a entender quais jogadores têm um nível mais alto a partir de agora.

Quais foram as possibilidades apresentadas ao Corinthians para o retorno ao Movimento? Rescindir com o Pedro Morelli foi a única alternativa viável?

— Havia a possibilidade de um acordo entre Corinthians e Palmeiras, o que não aconteceu. Ficou muito próximo, mas não houve desfecho positivo por alguns fatores. O Corinthians sempre esteve disposto a fazer o acordo. Quero lembrar que não fomos nós (gestão Osmar Stabile) que criamos essa situação, poderia ter sido resolvido no ano passado com mais transparência no início do ano.

— O segundo ponto apresentando foi de que, para volta ao Movimento, era necessária a liberação do atleta. Para nós pesou o seguinte: “vou prejudicar 430 atletas ou abrir mão de um e beneficiar 429?”. Ficou nessa situação, chegamos a um acordo com a família e com os representantes de que do jeito que estava seria também prejudicial ao atleta e ao seu desenvolvimento.

— A decisão contempla o desenvolvimento do atleta, que poderá dar sequência à carreira em outro clube e contempla a categoria de base do Corinthians, que está beneficiando os outros 429 atletas.

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