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Izumi Nakamitsu disse hoje ao Conselho de Segurança da ONU que a cooperação entre as novas autoridades da Síria e a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) produziu progressos significativos no combate aos resquícios do programa de armas químicas desenvolvido pelo regime do ex-presidente Bashar al-Assad, deposto em dezembro de 2024.
Após o destacamento da OPAQ em maio de 2026 ao território sírio, que levou à descoberta de armas químicas não declaradas anteriormente, a Síria apresentou emendas à sua declaração inicial de inventários e passou a incluir uma instalação de produção adicional, um produto químico usado na fabricação de agentes nervosos, munições vazias e dois locais de armazenamento.
Na sequência, o Conselho Executivo da OPAQ aprovou um plano detalhado para a verificação da destruição de armas químicas, levando a Síria a dispor das aprovações necessárias para iniciar as atividades de destruição sob a verificação da organização, explicou Nakamitsu.
"A OPAQ verificou que os 'stocks' correspondiam às recentes declarações da República Árabe da Síria e confirmou a destruição irreversível de 42 bombas aéreas. Este desenvolvimento relevante significa que, pela primeira vez desde 2014, a OPAQ verificou a destruição de munições químicas provenientes da República Árabe da Síria", anunciou a alta representante da ONU.
O Conselho Executivo da OPAQ também restabeleceu os direitos e privilégios da Síria ao abrigo da Convenção sobre Armas Químicas.
Porém, Izumi Nakamitsu alertou que as restantes questões pendentes são motivo de séria preocupação, uma vez que incluem quantidades potencialmente grandes de agentes de guerra química e munições químicas não declaradas e/ou não verificadas.
Recordando as vítimas dos ataques de 2013 em Ghouta - subúrbios de Damasco -, atribuído ao regime de Assad e que causou perto de 1.400 mortos, a alta representante da ONU instou o Conselho de Segurança à unidade, ao apoio contínuo, à responsabilização pelo uso de armas químicas e a esforços sustentados para manter a proibição global dessas armas.
Na mesma reunião do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador sírio junto da ONU, Ibrahim Olabi, descreveu o início da destruição de materiais químicos no país como um momento histórico que demonstra como a diplomacia, a determinação e a genuína vontade política podem transformar um perigo antigo num modelo de cooperação multilateral eficaz.
Olabi afirmou que a cooperação da Síria reflete uma mudança política mais ampla em direção à responsabilidade, à prestação de contas e ao cumprimento das obrigações internacionais.
O diplomata acrescentou que a segurança dos locais e a identificação de munições protegem não apenas a Síria, mas toda a região.
Alertou, no entanto, que os repetidos ataques israelitas obstruíram as operações de busca e destruição e colocaram em risco o pessoal sírio e internacional.
Exortando a comunidade internacional a garantir condições seguras para a continuidade dos trabalhos, o representante de Damasco afirmou que a Síria herdou dossiês perigosos do Governo anterior e precisa de apoio para lidar com os mesmos.
Já os Estados Unidos saudaram o progresso da Síria e da OPAQ no combate aos resquícios do programa de armas químicas do regime de Assad e enfatizaram a necessidade da eliminação completa e verificada de todos os vestígios identificados.
Por outro lado, a Rússia acusou o secretariado técnico da OPAQ de politizar e prolongar a questão.
Na reunião do Conselho de Segurança da ONU, Moscovo questionou se os materiais recém-descobertos poderiam ser atribuídos conclusivamente às antigas autoridades sírias e recordou o uso de armas químicas por grupos extremistas, incluindo o Daesh (acrónimo árabe para o grupo terrorista Estado Islâmico).
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