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Intitulado "Sustentabilidade na Moda: Inovação e Competitividade em Portugal", o estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos – a que a agência Lusa teve hoje acesso – analisa como a indústria têxtil e do vestuário portuguesa tem respondido aos desafios da sustentabilidade, através da inovação e da criação de valor.

O trabalho conclui que, "num contexto marcado pela pressão crescente para tornar a moda mais sustentável", o setor está "a afirmar-se como um polo de inovação, reforçando a competitividade de um setor estratégico para a economia nacional".

"Ao contrário da perceção de que são as marcas que lideram a inovação na moda, o estudo mostra que são, frequentemente, os produtores que impulsionam o desenvolvimento de novas soluções sustentáveis", sustenta.

Assim, enquanto os produtores contribuem com conhecimento técnico, capacidade industrial, investimento em tecnologia e "assumem grande parte do risco associado à inovação", as marcas fornecem conhecimento do mercado, visão estratégica e acesso aos consumidores.

"Os fornecedores portugueses estão a evoluir de fabricantes para parceiros estratégicos das marcas, oferecendo não apenas produtos, mas também serviços como rastreabilidade, reciclagem, desenvolvimento conjunto de materiais e apoio técnico", enfatiza.

O estudo analisa sete casos de inovação desenvolvidos em Portugal e conclui que a colaboração entre produtores e marcas "é determinante para desenvolver materiais e processos mais sustentáveis e reforçar a competitividade internacional da indústria".

Em causa estão inovações como algodão regenerativo (cultivado com práticas agrícolas para melhorar a saúde do solo e promover a biodiversidade), poliéster reciclado com tratamento repelente, fibras de ácido polilático (PLA), têxteis de liocel, tingimento com microrganismos e processos de acabamento com menor consumo de água.

A investigação demonstra também que "a proximidade geográfica e as relações de longo prazo são decisivas para acelerar a inovação e transformar processos produtivos", reduzindo consumos de água, energia e produtos químicos, bem como as emissões de carbono.

Conclui ainda que a concentração do setor no norte do país "constitui uma vantagem competitiva relevante para as empresas, num contexto marcado por cadeias globais complexas e fragmentadas".

De acordo com o trabalho, a competitividade internacional da indústria portuguesa assenta hoje em quatro vantagens principais: mão de obra qualificada, capacidade tecnológica, concentração geográfica de empresas especializadas e forte investimento em sustentabilidade.

Entre 2010 e 2021, o número de empresas do setor têxtil e vestuário que investiram em investigação e desenvolvimento (I&D) aumentou 153%, passando de 64 para 162, com o investimento empresarial em I&D a somar 43 milhões de euros.

Apesar dos progressos, persistem desafios na indústria relacionados com os custos da inovação, dificuldades de financiamento das pequenas e médias empresas, escassez de recursos humanos especializados e adaptação à nova legislação europeia a nível de sustentabilidade.

Neste contexto, recomenda um reforço dos mecanismos de apoio ao investimento em inovação, uma maior colaboração entre empresas, universidades e centros tecnológicos, o apoio à adaptação às novas exigências regulatórias e uma estratégia "mais ambiciosa" de promoção internacional.

Sublinhando que em muitos mercados internacionais a etiqueta 'Made in Portugal' "já é sinónimo de qualidade e de sustentabilidade", as autoras sustentam que o desafio passa agora por "consolidar essa reputação através do investimento contínuo em inovação, talento e colaboração, afirmando internacionalmente a marca 'sustainably made in Portugal'".

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