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Thierry Henry concedeu, esta quinta-feira, uma extensa entrevista à estação televisiva francesa RMC Sport, na qual abordou diversos temas, entre eles, claro está, a maneira como Cristiano Ronaldo abandonou a principal seleção de Portugal, em desacordo com a gestão levada a cabo por Jorge Jesus.

Instado a comentar as notícias que dão conta de o selecionador nacional ter prometido ao capitão que lhe daria 30 minutos de jogo, na vitória sobre a Noruega, por 1-2, o antigo internacional gaulês atirou: "Eu não estive naquela reunião... Cabe-lhes a eles resolver as suas próprias questões. Nós já temos as nossas, em França".

Ainda assim, apelou a que os adeptos do futebol mundial não se esqueçam de tudo aquilo que o jogador formado no Sporting fez, na altura de darem o seu 'veredito': "Julgar toda uma carreira com base nisto? Nunca. Quando eu pensar em Ronaldo, não pensarei nisto, nunca. Absolutamente nunca".

"Sobre Ronaldo, se estivermos a falar da lenda, não há mais nada a dizer. Aquilo que ele representa para o futebol é extraordinário. Todos aplaudimos o seu esforço [no Campeonato do Mundo]. Era suposto ter sido o final dele. Se terminar assim... Eu não falo daquilo que é o jogador, daquilo que ele fez", começou por afirmar.

"Aquilo que eu adoro destacar no Ronaldo é a atitude dele, a maneira como ele vive o futebol, a obsessão dele pelo futebol, pelos recordes, por ser o melhor... O corpo dele está melhor do que quando começou. É extraordinário. Sem essa obsessão, nós não teríamos conhecido aquele jogador. Vivemos coisas extraordinárias com ele", prosseguiu.

"Eu tenho um enorme respeito por Ronaldo, tal como tenho por [Lionel] Messi e por todos os jogadores que se mantiveram no topo", completou a 'lenda viva' de clubes como Arsenal, Barcelona ou AS Monaco, atualmente, com 49 anos de idade.

Nesta mesma entrevista, Thierry Henry debruçou-se sobre outro dos 'temas quentes' da atualidade desportiva, mais concretamente, a atribuição da Bola de Ouro, defendendo que a mesma pode muito bem ir parar às mãos do compatriota Kylian Mbappé, ainda que nada tenha conquistado, por França ou Real Madrid.

"Agora, os jogadores têm uma equipa na retaguarda que lhes diz aquilo que devem ou não devem fazer, o que publicar ou não publicar no Instagram... É algo com o qual não tenho uma verdadeira ligação. Como já falámos, a Bola de Ouro cresceu ao ponto de se tornar numa enorme questão", refletiu.

"Mesmo o meu filho, no início do ano, antes de termos disputado um único jogo, antes sequer de ter acontecido alguma coisa, perguntava-me 'Quem é que vai ganhar a Bola de Ouro?', mas eu não sei mesmo. Nós ficamos a ver, à espera que alguém faça qualquer coisa, que marque um golo", acrescentou.

"Está verdadeiramente a tornar-se numa grande questão. A pergunta já não é 'Quem é que vai vencer a Liga dos Campeões, este ano?' ou 'Quem é que vai conquistar o campeonato, este ano?'. A primeira questão do meu filho é 'Quem é que vai ganhar a Bola de Ouro?' (...). Penso que o Kylian pode vencer, sim. Mas, para mim, é uma corrida renhida com o Michael [Olise]", concluiu.

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