Face ao primeiro trimestre do ano, e considerando a série ajustada sazonalmente, a economia cresceu 2,75 por cento. São números que merecem atenção. Não apenas pela dimensão do crescimento, mas,sobretudo, pela forma como esse crescimento está a acontecer.

Um dos aspectos mais relevantes é o facto de a expansão da economia não ter ficado dependente exclusivamente do petróleo. O sector Petrolífero cresceu 5,64%, enquanto o sector não petrolífero avançou 9,24%, em termos homólogos.

Este talvez seja um dos sinais mais importantes destes dados. Durante décadas, a elevada dependência do petróleo constituiu uma das principais vulnerabilidades estruturais da economia angolana. As oscilações do preço e da produção petrolífera tiveram, e continuam a ter,repercussões significativas sobre as receitas públicas, as contas externas, o investimento e,em última instância, sobre o desempenho global da economia.

Por isso, quando o sector não petrolífero cresce acima do próprio PIB, devemos olhar para esse resultado com particular interesse. Significa que outras actividades económicas estão a ganhar maior expressão na criação de valor e que o processo de diversificação económica pode estar a encontrar novos espaços de afirmação.
A comparação entre os dois primeiros trimestres de 2026 reforça esta leitura. No primeiro trimestre, o PIB tinha crescido 5,32 por cento,apesar de uma contracção de 0,21por cento da actividade petrolífera. Nesse período, o sector não petrolífero cresceu 6,22 por cento. Já no segundo trimestre, o crescimento global acelerou para 8,74 por cento, com os dois sectores a apresentarem desempenhos positivos. Esta combinação é particularmente relevante.

Uma economia torna-se mais resiliente quando dispõe de vários motores de crescimento e reduz progressivamente a dependência de um único sector. Contudo, estes resultados conduzem-nos a uma questão igualmente importante:crescimento económico e desenvolvimento económico não são exactamente a mesma coisa.

O PIB mostra-nos quanto a economia produz,mas não nos diz, por si só, como os benefícios dessa produção chegam às famílias, que tipo de emprego está a ser criado,como evolui o rendimento real da população ou até que ponto o crescimento está a reduzir situações de vulnerabilidade económica.
É, precisamente, neste ponto que os indicadores do mercado de trabalho merecem uma leitura mais atenta.

No segundo trimestre de 2026, Angola tinha cerca de 10,17 milhões de pessoas empregadas,representando um aumento de 6,4% face ao trimestre anterior.
É,naturalmente, um sinal positivo. No entanto, no mesmo período, o número de desempregados aumentou 7,6 por cento, tendo atingido, aproximadamente, 2,79 milhões de pessoas,enquanto a taxa de desemprego se situou nos 21,5 por cento.Entre os jovens dos 15 aos 24 anos,a realidade é ainda mais desafiante: a taxa de desemprego atingiu40,5 por cento.
              * Economista