Os exemplos para esta situação são vários, sendo que podemos elencar a questão da banalização da vida humana em nome da filosofia imediatista e materialista, a intensificação de conflitos entre as Nações e a nível das organizações por falta de diálogo construtivo, o descomprometimento de muitas famílias com a educação para a vida em consequência da sua desestruturação, bem como a destruição gradual do tecido moral que permite a promoção da cultura de integridade pública.
A ética em sociedade funciona como um paradigma que visa, essencialmente, ensinar o homem a reflectir sobre os valores e a sua razão de ser no mundo, assumindo uma conduta responsável capaz de contribuir na promoção da cultura de paz social e de humanismo para o fortalecimento das instituições. Vamos todos investir na educação ética e moral para que possamos constituir sociedades sólidas edificadas em valores com bons cidadãos.
A ética serve para enraizar os projectos educacionais das sociedades no mundo, virados para o desafio de educar e formar para transformar mentalidades comprometidas com a filosofia de servir, promovendo o humanismo, o diálogo construtivo a favor da paz social, a responsabilidade social e a probidade pública.
Para enfatizar, o sociólogo Émile Durkheim considera que a ética social é um facto social essencial para a sociedade, pois, fornece normas e valores que orientam o comportamento dos indivíduos para alcançar a coesão social.
Tal como temos vindo a abordar de forma reiterada, a vida em sociedade exige de cada indivíduo uma escolha centrada nos fundamentos da racionalidade, abertura e disponibilidade para aprender e assimilar princípios e valores eficazes para a coesão social, através de um processo de socialização devidamente estruturado que permite a construção de uma identidade moral que ajuda a exercer a cidadania planetária com espírito de responsabilidade social e patriotismo acima de tudo.
Neste sentido, a ética serve como instrumento de promoção da cultura de reflexão e definição de parâmetros para uma relação sólida e equilibrada entre a consciência individual e a consciência colectiva, entre a necessidade e o senso moral, entre a ganância e a justiça social, entre o interesse pessoal e o colectivo, entre a intolerância e a reconciliação nacional, entre a indisciplina e a lealdade no cumprimento das normas que regem a vida social, finalmente, entre a guerra e a paz social.
Portanto, a moralização da sociedade começa na família e se estende para outras esferas da vida social. Assim sendo, os pais devem assumir com espírito de missão a ética do dever paternal que consiste em ser útil e prestativo para a família, de modo a permitir que a socialização primária de cada indivíduo sirva como pilar na projecção de bons cidadãos em sociedade e futuros gestores públicos comprometidos com a qualidade e excelência na prestação de serviços de interesse público.
*Docente universitário, palestrante e escritor

